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Hamas nomeia Khalil Al-Hayya como novo líder político

Khalil Al-Hayya, principal negociador do grupo e dirigente do Hamas que vive no exílio, assume o comando político da organização. Ele substitui Yahya Sinwar, morto por Israel em 2024.

Por Lorena Brandão
20/07/2026 às 21:36 • 3 min

Imagem: Abed Rahim Khatib/Flash90

O Hamas anunciou nesta segunda-feira (20), em um comunicado publicado em seu canal oficial no Telegram, a eleição de Khalil Al-Hayya como novo chefe do gabinete político da organização, sucedendo Yahya Sinwar. 

Desde a morte de Sinwar, em outubro de 2024, o grupo vinha sendo comandado por um conselho de cinco dirigentes. A escolha do novo líder levou meses devido à guerra em curso e às dificuldades para reunir os integrantes responsáveis pelo processo eleitoral. 

A eleição é realizada por um conselho formado por cerca de 50 membros do Hamas, que representam a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, integrantes presos em Israel e dirigentes que vivem no exterior. 

Hayya substitui Yahya Sinwar, morto pelas forças israelenses em outubro de 2024 durante a guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Desde então, tornou-se uma das principais lideranças da organização, conduzindo negociações indiretas por cessar-fogo e troca de reféns. Sua influência também aumentou após a morte de Ismail Haniyeh, então chefe do gabinete político do Hamas, morto em Teerã, no Irã, em julho de 2024, em um ataque atribuído por autoridades iranianas a Israel. 

Hayya é considerado mais linha-dura que outros possíveis sucessores e vive atualmente em Doha, capital do Catar, onde também atua como representante político do grupo. Em 2025, ele esteve entre os dirigentes do Hamas apontados por Israel como alvos de um ataque realizado na cidade. 

O plano de cessar-fogo proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê o desarmamento do Hamas, a retirada gradual das forças israelenses e a administração da Faixa de Gaza por um governo palestino tecnocrático, composto por gestores sem filiação partidária, sob supervisão internacional do chamado Conselho de Paz (Board of Peace), criado para acompanhar a implementação do acordo e a reconstrução do território. 

No entanto, as negociações entre o Hamas, os mediadores e os representantes do Conselho de Paz ainda não resultaram em um acordo definitivo para encerrar o conflito. 

A analista política palestina Reham Owda afirmou que a escolha de Hayya demonstra que o Hamas pretende manter sua estratégia de luta armada, rejeitar propostas de desarmamento e reconstruir sua capacidade militar. Segundo ela, o grupo também busca preservar sua aliança com o Irã e com o chamado “Eixo da Resistência”, uma rede de grupos armados apoiados por Teerã, que inclui o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, e milícias atuantes no Iraque e na Síria. 

“Isso indica que as negociações relacionadas ao desarmamento provavelmente enfrentarão dificuldades e obstáculos significativos”, afirmou Owda à agência de notícias Reuters. 

Em 7 de outubro de 2023, combatentes liderados pelo Hamas invadiram o sul de Israel, mataram cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis israelenses, e sequestraram outras 251, de acordo com as autoridades israelenses. O ataque, realizado pelo grupo, classificado como organização terrorista por países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e pelos membros da União Europeia, desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.

Desde então, o Hamas também tem sido alvo de críticas entre parte da população de Gaza pelo elevado número de vítimas e pela destruição provocada pelo conflito. Grande parte da Faixa de Gaza foi reduzida a ruínas e mais de 73 mil pessoas morreram, segundo as autoridades de saúde do território. 

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