Meio Ambiente

Flotilha de indígenas da amazônia parte do Equador rumo à COP30 em Belém

Por Estado do Pará Online
16/10/2025 às 15:17 • 3 min

Uma caravana de indígenas iniciou uma jornada fluvial de mais de 3.000 quilômetros pelos rios do continente americano, conhecido pelos povos originários como Abya Yala, com destino à COP30 — a Conferência do Clima das Nações Unidas — que será realizada em Belém, no Pará, em novembro.

A flotilha, batizada de Yaku Mama (“mãe água”, em quíchua), zarpou no dia 8 de outubro da região do vulcão Cayambe, nos Andes equatorianos, após um ritual sagrado. O grupo pretende chegar à capital paraense em 9 de novembro, um dia antes da abertura oficial do evento.

Durante os 25 dias de viagem, o número de participantes deve aumentar à medida que novos grupos se unam ao percurso. A rota inclui paradas em cidades como Coca e Nueva Rocafuerte (Equador), Iquitos (Peru), Letícia (Colômbia), Manaus e Santarém (Brasil), até o destino final em Belém.

De acordo com os organizadores, a flotilha tem como propósito fortalecer agendas de justiça climática, promover a integração de povos indígenas e documentar histórias de resistência e ação ambiental. A expectativa é que a expedição também contribua para impulsionar políticas e financiamentos climáticos que contemplem as demandas das comunidades tradicionais.

Em Belém, os integrantes devem se dividir entre acampamentos próprios e a Aldeia COP, espaço destinado pelo governo federal aos povos indígenas. Segundo Alexis Grefa, da etnia quíchua (Kichwa) e um dos líderes da iniciativa, o projeto é financiado por coletivos indígenas e organizações de base comunitária.

“A mensagem da caravana é a luta contra empreendimentos predatórios em nossos territórios — como mineradoras, petroleiras, hidrelétricas e mercados de carbono. São batalhas que travamos todos os dias com resistência”, declarou Grefa em entrevista à Folha de S.Paulo.

O líder indígena reforçou ainda a expectativa de que a COP30 seja um marco na inclusão dos povos originários nas decisões sobre o futuro climático do planeta.

“Esperamos que esta COP seja diferente das anteriores e que os povos indígenas tenham voz nas decisões. Essa é a nossa esperança”, afirmou.

A COP30 será o maior evento climático já realizado no Brasil e deve reunir líderes mundiais, cientistas e representantes de movimentos sociais para debater metas e compromissos em torno da redução das emissões de carbono e da preservação ambiental.

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