Fiocruz obtém patente para novo método de tratamento contra malária resistente - Estado do Pará Online

Fiocruz obtém patente para novo método de tratamento contra malária resistente

Estudo brasileiro identifica composto capaz de bloquear defesas do parasita; baixo custo de produção é visto como estratégico para o combate à doença

duas mãos, realizando coleta de sangue para exame de malária
TV Brasil/Reprodução

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conquistou a patente de um método de tratamento inovador contra a malária, focado em combater cepas do parasita resistentes aos medicamentos atuais.

A concessão, feita pelo Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO), valida os estudos do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) sobre o composto DAQ, que se mostrou eficaz contra as formas mais graves da doença.

O diferencial da pesquisa, coordenada pela cientista Antoniana Krettli, foi identificar uma característica estrutural específica no composto que permite superar as defesas desenvolvidas pelo Plasmodium falciparum. O DAQ bloqueia o mecanismo de desintoxicação do parasita durante a digestão do sangue humano, levando-o à morte.

“Essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. O nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química”, explica Wilian Cortopassi, pesquisador colaborador da Fiocruz.

Diferente de outras moléculas, o composto demonstrou ação rápida nas fases iniciais da infecção e eficácia contra o Plasmodium vivax, que é o principal responsável pelos casos de malária registrados no Brasil, especialmente na região amazônica.

Um dos pontos mais celebrados pelos pesquisadores é o potencial baixo custo de produção do medicamento. Essa característica é estratégica para o Brasil e outros países de média e baixa renda, onde a doença é endêmica.

A pesquisadora Antoniana Krettli destaca que a presença da Fiocruz na Amazônia deve acelerar os próximos passos. “A instituição tem forte atuação na região, com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, o que facilita parcerias e o avanço para testes clínicos”, afirmou.

Embora a patente garanta a exclusividade da tecnologia até 2041, o DAQ ainda não é um medicamento disponível nas farmácias.

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