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El Niño: guia mostra como Belém pode se preparar para desastres

Com previsão de calor mais intenso e períodos de estiagem na Amazônia, cidade precisa combinar prevenção, resposta rápida e adaptação urbana

Por Kaio Rodrigues
26/07/2026 às 14:42 • 3 min
El Niño: guia mostra como Belém pode se preparar para desastres

Jader Paes / Agência Belém

O El Niño deve colocar Belém diante de uma combinação de desafios climáticos nos próximos meses. A possibilidade de temperaturas mais elevadas e redução das chuvas ocorre em uma cidade que já enfrenta o efeito das ilhas de calor provocadas pelo excesso de concreto e asfalto.

Um guia lançado pela Associação Brasileira de Municípios (ABM) recomenda que as prefeituras se preparem para cenários de eventos climáticos extremos. O documento reúne ações voltadas à prevenção, resposta emergencial e recuperação após desastres.

Para Belém, a preocupação se concentra principalmente na combinação entre calor intenso, períodos mais secos e maior pressão sobre áreas urbanas. A previsão apresentada anteriormente pela Prefeitura aponta que as temperaturas podem chegar a 40°C em determinados períodos do verão amazônico.

O fenômeno ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Os efeitos não são iguais em todo o Brasil: enquanto algumas regiões podem enfrentar mais chuvas e risco de enchentes, a Amazônia tende a lidar com estiagem e aumento das temperaturas.

A ABM recomenda que os municípios antecipem medidas como o mapeamento de áreas vulneráveis, a atualização de planos de contingência, a definição de abrigos e a organização das equipes que poderão atuar em situações de emergência.

O que muda para Belém

Na capital paraense, o calor não depende apenas das condições do oceano. A estrutura urbana também pesa. Asfalto, concreto e pouca arborização fazem com que o calor seja acumulado durante o dia e liberado mais lentamente à noite, aumentando o desconforto térmico.

Esse efeito é conhecido como ilha de calor urbana e pode ser agravado por períodos prolongados de temperaturas elevadas. Por isso, ações de arborização e ampliação de áreas verdes são apontadas como estratégias importantes para reduzir a pressão sobre a cidade.

Entre as iniciativas já anunciadas pelo município estão o programa Belém Mais Verde, que prevê o plantio de um milhão de árvores até o fim da gestão, além de sistemas agroflorestais, hortas comunitárias e jardins de chuva.

As medidas também dialogam com uma preocupação mais ampla: preparar a cidade não apenas para um episódio específico de calor ou estiagem, mas para um cenário em que eventos climáticos extremos podem exigir respostas cada vez mais rápidas.

O que os municípios devem fazer

De acordo com o guia da ABM, a preparação deve começar antes da ocorrência de um desastre. Entre as medidas recomendadas estão:

  • mapear áreas de risco;
  • atualizar planos de contingência;
  • definir previamente abrigos e equipes;
  • organizar protocolos de evacuação e acolhimento;
  • garantir a continuidade de serviços essenciais;
  • planejar ações de recuperação após eventos extremos.

Em Belém, a adaptação passa por medidas de longo prazo, como o aumento da arborização, a recuperação de áreas verdes e a melhoria da infraestrutura urbana. Ao mesmo tempo, o monitoramento climático e a preparação dos serviços públicos são fundamentais para responder aos períodos de maior calor e menor volume de chuva.

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