Sob um sol intenso, a manhã desta sexta-feira (01) foi marcada por mobilização em Belém. A partir das 9h, uma frente ampla composta por movimentos sociais, sindicais e estudantis ocupou a Avenida Visconde de Souza Franco (Doca) para o tradicional ato do Dia do Trabalhador.
Este ano, porém, o caráter da manifestação foi de forte pressão política: o foco central foi a exigência do fim da jornada de trabalho 6×1, pauta que vive um momento decisivo de tramitação no Congresso Nacional neste primeiro semestre de 2026.
O protesto teve início simbólico em frente a um grande supermercado, setor onde a escala de seis dias de trabalho por um de descanso ainda é muito comum. O ato teve paradas em frente a lugares que adotam a escala 6×1.
O movimento em Belém ocorre em um cenário de tensão com o Legislativo Federal. Além da pauta trabalhista, o ato serviu como resposta à decisão do Congresso de derrubar o veto presidencial à “PEC da Dosimetria”. A medida, que reduz penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro, foi classificada pelos manifestantes como um ataque ao Estado Democrático de Direito.
Lideranças políticas do PSOL integraram o protesto, trazendo diferentes perspectivas sobre as crises atuais. Fernando Carneiro, dirigente e ex-vereador, ressaltou que o 1º de Maio não é data de festa.“É dia de pautar o direito ao trabalho com dignidade. Descanso e lazer com os filhos não são luxo, são direitos que a escala 6×1 sufoca”, afirmou, vinculando a luta trabalhista ao combate ao feminicídio e ao avanço da extrema-direita.
A vereadora Vivi Reis (PSOL) reforçou a necessidade de unidade sindical. Para ela, os trabalhadores são os primeiros a sentir o peso de governos que atacam direitos fundamentais. “Precisamos de uma política de unidade para proteger quem está na linha de frente, especialmente as mulheres, que sofrem com a jornada exaustiva”, pontuou durante o percurso.
O Futuro da Jornada de Trabalho
A pauta que moveu a caminhada até o final da avenida – a transição para a escala 5×2 – está em fase avançada na Câmara dos Deputados. Após a aprovação da admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta agora enfrenta o crivo de uma Comissão Especial.
Araceli Lemos (PSOL), pré-candidata ao Governo do Pará, enfatizou que a mudança é uma necessidade humana. “Lutamos por uma escala que permita ao trabalhador descansar e olhar para sua família, mas também que garanta o acesso à cultura e à arte como direitos universais”, defendeu.
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