Cidades

Despedida de Zélia Amador é marcada por homenagens ao legado no Pará

Referência do movimento negro e da defesa das comunidades quilombolas, professora é velada no Teatro Waldemar Henrique

Por Estado do Pará Online
09/09/2026 às 13:22 • 3 min

Foto: Ascom / UFPA

A despedida da professora e ativista Zélia Amador de Deus tem sido marcada por homenagens no Pará. Desde a confirmação da morte da professora, na última terça-feira (8), manifestações públicas e mensagens nas redes sociais relembram uma trajetória de décadas dedicada à educação, à cultura, à luta antirracista e à garantia dos direitos da população negra e quilombola.

Nesta quarta-feira (9), familiares, amigos e admiradores se reúnem no Teatro Waldemar Henrique, em Belém, onde ocorre o velório. O espaço escolhido para as últimas homenagens possui um significado particular na história da professora e também guarda parte de sua trajetória.

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Antes e paralelamente à atuação acadêmica e à militância, Zélia construiu uma forte relação com o teatro paraense. Atriz e diretora, foi uma das fundadoras do grupo Cena Aberta e teve no Waldemar Henrique um espaço recorrente para a produção artística. O teatro se tornou uma espécie de casa ao longo dessa trajetória e recebe a despedida de uma personalidade que também ajudou a construir a história cultural do Pará.

Entre as manifestações, o ex-governador do Pará Helder Barbalho e a candidata ao governo do Estado Hana Ghassan enviaram coroas de flores ao local. Nas redes sociais, o ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues (PSOL) esteve entre os nomes que se manifestaram após a morte de Zélia. O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira, também homenageou a professora e destacou a importância da trajetória construída por ela dentro e fora da instituição.

Entre as instituições que homenagearam a partida de Zélia estão o Ministério Público do Pará, a Prefeitura de Belém, a Ordem dos Advogados do Brasil, entre outras diversas iniciativas privadas.

Zélia morreu aos 74 anos e deixa uma história profundamente ligada à UFPA. Ao longo da carreira acadêmica, ocupou diferentes espaços na Universidade e chegou à vice-reitoria entre 1993 e 1997. Em 2019, recebeu o título de professora emérita em reconhecimento à contribuição acadêmica e social construída ao longo de décadas.

A importância de Zélia, no entanto, ultrapassou os limites da Universidade. Escritora, atriz, diretora de teatro, professora e militante, ela se consolidou como uma das principais referências do movimento negro no Pará.

Entre os marcos dessa trajetória está a fundação do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), do qual Zélia foi uma das idealizadoras. A entidade se tornou uma importante frente de defesa dos direitos da população negra e de enfrentamento ao racismo no estado.

As manifestações que cercam a despedida ajudam a dimensionar a presença de Zélia na história paraense. Da Universidade ao movimento negro, das comunidades quilombolas aos palcos, diferentes espaços atravessados por ela ao longo da vida agora se encontram nas homenagens prestadas em Belém.

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