Cidades

Reitor da UFPA lamenta morte de Zélia Amador de Deus: “Obrigado por não ter desistido de abrir caminhos”

Ao lembrar a trajetória da professora, Gilmar Pereira da Silva ressaltou os caminhos que ela abriu para outras pessoas negras ocuparem espaços de poder

Por Elielson Almeida
09/09/2026 às 08:24 • 3 min

Na despedida, reitor afirmou que a presença da professora ajudou a transformar a UFPA em uma universidade mais negra, diversa e consciente das desigualdades. (Foto: Ascom UFPA)

O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, publicou uma carta de despedida após a morte da professora Zélia Amador de Deus, uma das principais referências do movimento negro e da luta antirracista no Brasil. Na mensagem, o reitor afirma que a despedida tem um peso pessoal e institucional por se tratar, segundo ele, de uma das pessoas mais importantes da história da universidade.

Como homem negro e primeiro reitor negro da UFPA, Gilmar destacou o papel de Zélia na abertura de caminhos para outras pessoas negras dentro da universidade. Ele lembrou a passagem da professora pela Vice-Reitoria e afirmou que sua presença naquele espaço carregava também as histórias e expectativas de uma parcela da população que, durante muito tempo, teve o acesso a esses lugares negado.

Na carta, o reitor também ressaltou a atuação de Zélia na construção do debate sobre ações afirmativas e sua participação em articulações do movimento negro brasileiro. Para ele, a trajetória da professora não se resume aos cargos que ocupou ou às contribuições acadêmicas, mas também à capacidade de estabelecer vínculos, afetos e relações com as pessoas que estiveram ao seu redor.

“A vida para mim é sinônimo de luta e luta para mim é sinônimo de vida”.

A frase, atribuída a Zélia na homenagem, foi usada por Gilmar para resumir uma trajetória marcada pela luta contra o racismo e pela transformação das estruturas sociais. Segundo o reitor, essa atuação deixou marcas permanentes na UFPA e fez com que a instituição se tornasse mais diversa e consciente das desigualdades que ainda precisa enfrentar.

Ao final da carta, Gilmar separa a homenagem em três dimensões: como reitor, agradece pelo que Zélia construiu pela universidade; como homem negro, reconhece a importância de uma mulher que ajudou a tornar possíveis espaços hoje ocupados por outras pessoas negras; e, como amigo, fala da saudade e da gratidão pela caminhada compartilhada.

“Você permanece na história da Universidade Federal do Pará, na história da arte produzida no Norte, na história do movimento negro brasileiro e, sobretudo, nas vidas de tantas pessoas que ajudou a transformar”, escreveu.

Ao se despedir, Gilmar deixou de lado os cargos e títulos para falar daquilo que, segundo ele, permanece depois de uma trajetória como a de Zélia: a coragem, os vínculos construídos e os caminhos abertos para quem veio depois. A mensagem termina com um agradecimento pessoal à amiga e companheira de lutas:

“Obrigado, Zélia. Por sua coragem. Por sua inteligência. Por sua amizade. Por sua luta. Por não ter desistido de abrir caminhos.”

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