Cidades

Denúncia de “ranking sexual” com fotos de adolescentes e jovens é investigada em Belém

Imagens teriam sido retiradas de redes sociais e compartilhadas no Discord; mais de 15 denúncias já teriam sido feitas às autoridades

Por Ludmila Viana
27/08/2026 às 22:38 • 5 min

Uma lista com fotos de adolescentes e jovens de Belém, acompanhadas de classificações de teor sexual e comentários ofensivos, teria circulado em comunidades da plataforma Discord. O caso chegou à Polícia Civil após vítimas e familiares descobrirem que as imagens estavam sendo utilizadas sem autorização. Segundo informações apuradas pela RBATV e relatos de pessoas que tiveram as fotos incluídas no material, mais de 15 denúncias já foram feitas às autoridades.


Como as imagens teriam sido usadas

Segundo os relatos, as fotos foram retiradas de redes sociais das próprias jovens e, em alguns casos, também de perfis de familiares. Imagens feitas em situações comuns, como estudos, festas e outros eventos, teriam sido copiadas e colocadas na lista sem o consentimento das pessoas retratadas.

O material teria sido organizado como uma espécie de ranking, no qual as jovens recebiam classificações consideradas ofensivas e de cunho sexual. Uma publicação que passou a circular nas redes sociais afirma que três universitários, todos maiores de idade, teriam criado a lista e reunido fotografias de diversas meninas e jovens.

Prints apontam suposta participação

Entre os conteúdos compartilhados por estudantes estão prints de conversas atribuídas a um jovem de 18 anos, apontado nas publicações como estudante de Medicina em uma faculdade particular de Belém.

Em uma das conversas, o jovem supostamente afirma que um amigo já tinha uma lista e que o chamou, junto com outra pessoa, para acrescentar mais pessoas ao material. Ele também relata ter colocado fotos de ex-namoradas, de meninas de uma antiga escola e de outras jovens que conhecia. Na mesma conversa, o jovem reconheceria que participou da inclusão das imagens e afirmaria não se isentar da responsabilidade por ter contribuído com a lista.

Outro print divulgado nas redes sociais, também atribuído a ele, mostra um pedido de desculpas às pessoas que teriam sido incluídas no material e aos demais envolvidos. Na mensagem, ele afirma que a situação foi uma atitude da qual se arrepende e pela qual sente vergonha. Os prints, no entanto, são conteúdos que circulam nas redes sociais e a autenticidade deles, assim como a responsabilidade de cada pessoa citada, ainda precisa ser confirmada pelas autoridades.

Polícia Civil investiga caso sob sigilo

Em nota, a Polícia Civil do Pará informou que o caso está sendo investigado sob sigilo pela Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC).

A investigação deverá apurar como o material foi produzido e compartilhado, além da eventual participação das pessoas envolvidas. As denúncias feitas por vítimas e familiares também fazem parte da apuração.

O caso provocou reação entre pais, estudantes e responsáveis depois que as jovens descobriram que fotografias pessoais estavam sendo utilizadas em um ambiente on-line para receber comentários e classificações de teor sexual. Com a descoberta, famílias passaram a compartilhar informações e procurar as autoridades.

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Um post compartilhado por Estado do Pará Online (@estadodoparaonline)

Discord é alvo de ação do governo federal

O caso em Belém ocorre em meio a uma discussão nacional sobre a segurança do Discord. A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Justiça Federal, em Brasília, contra a plataforma e pediu o pagamento de R$ 500 milhões por dano moral coletivo. Segundo informações da Agência Brasil, o governo aponta supostas falhas na proteção de grupos vulneráveis e no combate à circulação de conteúdos relacionados a crimes no serviço.

Do valor solicitado, R$ 50 milhões correspondem a cada uma das dez infrações que, segundo a AGU, foram identificadas durante as apurações. O ministro Jorge Messias afirmou que mulheres, crianças e adolescentes estariam entre os grupos que, na avaliação do governo, não teriam recebido proteção adequada na plataforma.

Antes de recorrer à Justiça, representantes do governo e do Discord teriam realizado reuniões durante aproximadamente duas semanas para tentar chegar a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Segundo a AGU, não houve acordo.

O governo também afirma ter identificado o uso do Discord em situações envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes, automutilação, indução ao suicídio e maus-tratos a animais. As acusações fazem parte da ação apresentada pela AGU.

O Discord classificou a ação como “desproporcional” e afirmou que mantém diálogo com o governo brasileiro. A empresa declarou ter apresentado uma proposta para ampliar a segurança da plataforma no país, incluindo mudanças técnicas e investimentos em mecanismos de proteção on-line.

A plataforma também contestou a afirmação de que não estaria colaborando com as autoridades. Segundo o Discord, faltaria uma atuação coordenada entre os órgãos federais envolvidos e clareza sobre quais medidas específicas estão sendo exigidas.

Em relação à morte de uma adolescente de 13 anos citada pelo governo, o Discord afirmou que o episódio envolveu diferentes serviços digitais e que as evidências apresentadas indicariam que a morte ocorreu em outra plataforma. A empresa também declarou ter desativado, antes da morte da adolescente, um servidor privado no qual usuários apontados como envolvidos em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação.

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