Eleições 2026

Daniel Santos chama policiais de “vagabundos”, após PM intervir em distribuição de gasolina para carreata em Ananindeua

Candidato reagiu à operação realizada em um posto de combustíveis, onde foram apreendidos uma planilha com nomes e placas, celulares e um computador. O material será encaminhado à Justiça Eleitoral.

Por Estado do Pará Online
06/09/2026 às 16:09 • 8 min
Daniel Santos durante discussão na Seccional da Cidade Nova, com imagens do posto de combustíveis e de uma planilha apreendida pela polícia

Daniel Santos reagiu à operação realizada em um posto de combustíveis e chamou policiais de “vagabundos” durante sua passagem pela Seccional da Cidade Nova. Montagem: EPOL | Imagens: reprodução/redes sociais

O candidato ao Governo do Pará, Daniel Santos (Podemos) chamou agentes de segurança de “vagabundos” durante sua passagem pela Seccional da Cidade Nova, em Ananindeua, após uma operação policial realizada em um posto de combustíveis no município em que foi eleito e releito prefeito nas últimas eleições. A ação policial que foi contestada pelo ex-prefeito e atual candidato ao governo resultou na condução de quatro pessoas que o apoiam à delegacia e apreensão de equipamentos e registros relacionados ao abastecimento de veículos no posto.

As ofensas de Daniel contra os policiais ocorreram em meio à reação do candidato à operação policial, que aconteceu na noite deste última sábado (05), às vésperas de uma carreata de apoio à sua candidatura. O episódio também colocou sob investigação a origem dos recursos utilizados para o abastecimento dos veículos e quem teria sido responsável pelos pagamentos.

Segundo as informações divulgadas sobre a operação, entre os conduzidos estão o gerente do posto e três frentistas. Durante a ação, a polícia teria apreendido uma CPU ou equipamento utilizado para armazenar informações, onde constariam nomes e placas de veículos.

A suposta distribuição irregular de combustível aponta para a existência de uma lista de nomes e placas de veículos para serem abastecidos. Os nomes da Secretária de Cidadania, Assistência Social e Trabalho de Ananindeua Francy Pereira, de um ex-chefe de gabinete do prefeito de Ananindeua e assessor da Prefeitura, bem como do vereador Fabrício Miranda – que também é candidato a deputado estadual, aparecem nas planilhas encontradas no posto. Todos os citados nas planilhas estão sendo procurados pelo nosso jornalismo para apresentarem suas alegações.

O gerente do posto foi preso após, segundo informações preliminares, ao se recusar a prestar esclarecimentos sobre a distribuição de combustível durante a madrugada e a origem dos pagamentos. O caso será apurado pelas autoridades competentes para determinar se houve crime eleitoral e eventual responsabilidade dos citados.

A Polícia Militar informou à redação do EPOL que foi acionada, após denúncia de aglomeração em posto de combustível, em Ananindeua. Quando chegaram no local, os agentes se depararam com princípio de tumulto e com possível distribuição de combustível para fins de campanha política. Durante a ação, foram apreendidos listas com nomes e placas, um computador e dois celulares. O gerente e os frentistas do estabelecimento foram convidados para ir à Delegacia da Cidade Nova para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil informa que recebeu todo o material apreendido e irá encaminhá-lo à Justiça Eleitoral, responsável pela apuração dos fatos.

O material passou a ser analisado pelas autoridades para esclarecer a finalidade dos abastecimentos e a eventual relação deles com a mobilização política prevista para o domingo, conclui a nota enviada pela PM-PA ao Estado do Pará Online.

Em nota, o Clube dos Oficiais da Polícia Militar (COPM) repudiou as declarações de Daniel, considerando-as desrespeitosas e ofensivas, além de prestar solidariedade aos servidores públicos ofendidos.

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A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Pará (ADEPOL/PA), também repudiou o que considerou “expressões ofensivas dirigidas a Delegado de Polícia Civil no exercício de suas funções, durante ocorrência relacionada à averiguação de possível ilícito eleitoral, ocorrido na noite de 05 de setembro em Ananindeua, Pará”.

Segundo a entidade que representa os delegados da PC “a fiscalização, averiguação e apuração de fatos possivelmente ilícitos constituem deveres funcionais dos agentes públicos competentes, e integram o regular exercício da atividade policial.

Nesse contexto, qualificar como “vagabundo” um Delegado de Polícia em razão de uma atuação funcional ultrapassa os limites da crítica e atinge a dignidade do profissional e do cargo público que exerce”.

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Outra entidade que também criticou a fala de Daniel Santos foi o Sindicato dos Delegados de Polícia do Pará que publicou o repúdio a manifestação do candidato dizendo que o mesmo “injuriou o Delegado de Polícia, o qual no uso de suas atribuições legais, como servidor público e ocupante de carreira de estado, apenas exerceu seu dever, independentemente de coloração partidária. É muito preocupante que candidatos ao governo de estado, atentem contra a integridade das instituições e de seus trabalhadores.
Nos recusamos a sermos tratados como joguetes de disputas políticas partidárias da qual não fazemos parte e nem pretendemos fazê-lo. Exigimos respeito !!!!”, diz a nota.

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Daniel reage à operação

Antes de chegar à delegacia, Daniel publicou um vídeo nas redes sociais comentando a ação. Na gravação, afirmou que havia acompanhado pelas redes sociais imagens de pessoas que o apoiavam no posto e criticou a forma como elas teriam sido tratadas.

“E acompanhei aqui pelas redes sociais a forma como as pessoas que me apoiam, que estavam no posto de gasolina abastecendo, muitos espontaneamente foram tratados como bandidos. Quem me apoia não é bandido”, declarou.

Daniel também afirmou que algumas pessoas estavam na delegacia e anunciou que iria ao local assim que chegasse a Belém.

“E muitos estão presos nesse momento na delegacia da Cidade Nova. Eu pouso meia-noite e dez, vou direto pra aí. Convoco vocês, porque a gente não pode aceitar que o nosso pessoal seja tratado como bandido”, disse.

Posteriormente, já na delegacia, o candidato fez novos ataques aos agentes envolvidos na ocorrência. Em uma das declarações registradas em vídeo, utilizou o termo “vagabundo” para se referir aos policiais.

A fala ocorreu durante uma discussão sobre a atuação das forças de segurança na operação. O conteúdo do vídeo mostra Daniel questionando a ação policial e defendendo os apoiadores que, segundo ele, estavam no local.

O que está sendo investigado

O ponto central da investigação, neste momento, é esclarecer a dinâmica dos abastecimentos realizados no posto.

A existência de veículos destinados a uma carreata e o abastecimento de combustível, por si só, não comprovam uma irregularidade eleitoral. O que deverá ser esclarecido é quem organizou os abastecimentos, quem efetuou os pagamentos, de onde vieram os recursos e qual era a finalidade da distribuição do combustível.

Também circula nas redes sociais uma planilha identificada como “controle de veículos – carreata – Ananindeua”, com nomes e placas. A autenticidade e a origem desse material, entretanto, não foram confirmadas oficialmente.

Por isso, a simples presença de um nome ou de uma placa na relação não permite concluir que a pessoa tenha cometido qualquer irregularidade ou que tenha participado de um eventual esquema, mas a apuração poderá considerar documentos, registros de abastecimento, imagens das câmeras do estabelecimento, informações financeiras e os depoimentos dos envolvidos para reconstruir o que ocorreu.

Prefeito também esteve na delegacia

O prefeito de Ananindeua, Hugo Atayde, também esteve na Seccional da Cidade Nova após a condução das pessoas.

Em declaração gravada no local, Hugo afirmou que a carreata prevista para o domingo havia sido comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e questionou a atuação das forças de segurança.

“Amanhã a gente vai fazer uma carreata devidamente comunicada pro TRE. Tô aqui na Seccional da Cidade Nova. Simplesmente o comando da Polícia Militar ordenou aos policiais que não estão cumprindo ordem pra ir fazer uma operação, conduzir os frentistas, teve spray de pimenta, jogaram, inclusive agressões a uma vereadora do MDB, a vereadora Nancy, tudo filmado, tudo registrado”, afirmou.

O prefeito também disse que os abastecimentos realizados no posto seriam declarados.

“A carreata estava devidamente comunicada, o posto vai ser devidamente declarado os abastecimentos”, declarou.

Hugo ainda levantou a hipótese de que a operação teria relação com uma tentativa de desmobilizar a carreata e afirmou que pretendia acionar as corregedorias das polícias Militar e Civil.

As declarações do prefeito representam a versão apresentada por ele sobre a ocorrência e não comprovam, por si só, que tenha havido abuso de autoridade ou interferência política na operação. Essas circunstâncias dependem de apuração pelas autoridades competentes.

Possível impacto na campanha

O caso ganhou dimensão política porque envolve uma atividade diretamente relacionada à mobilização de eleitores e apoiadores durante o período eleitoral.

Caso a investigação identifique alguma irregularidade na origem, utilização ou distribuição de recursos para abastecimento de veículos vinculados à campanha, a situação poderá ser encaminhada para análise da Justiça Eleitoral e caso sejam indentificadas irregularidades e crime eleitoral, os candidatos envolvidos podem sofrer sanções legais.

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