Cidades

CRM-PA se manifesta sobre morte de Giovanna Coelho Gomes e diz que sindicância continua

Conselho afirma que apuração ética dos médicos é independente do inquérito da Polícia Civil, que indiciou quatro profissionais.

Por Alexandre Alencar
06/09/2026 às 11:24 • 3 min

Giovanna Coelho/Arquivo Pessoal

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) divulgou neste sábado (5) uma nota oficial sobre a morte da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos. A entidade esclareceu que a sindicância instaurada para apurar a conduta dos médicos segue um procedimento próprio e não está diretamente vinculada à conclusão do inquérito da Polícia Civil.

A Polícia Civil do Pará concluiu a investigação na sexta-feira (4) e indiciou quatro profissionais envolvidos no atendimento da empresária. Segundo o CRM-PA, entretanto, as duas apurações ocorrem em esferas diferentes e de forma independente.

O Conselho explicou que o indiciamento é resultado da investigação policial, enquanto a atuação do CRM-PA está limitada à análise administrativa e ético-profissional da conduta dos médicos.

De acordo com a nota, a sindicância do Conselho ainda não foi encerrada porque o procedimento depende da chegada de novos documentos e registros relacionados ao caso.

O CRM-PA informou que outras diligências ainda precisam ser realizadas para permitir uma análise completa das circunstâncias que envolveram a morte da empresária.

A entidade também ressaltou que a investigação sobre a conduta dos profissionais é realizada de maneira reservada, seguindo as normas que regulamentam os processos ético-profissionais da categoria.

Segundo o Conselho, o artigo 1º do Código de Processo Ético-Profissional estabelece que esse tipo de procedimento deve tramitar sob sigilo.

Morte de Giovanna

Giovanna Coelho Gomes morreu em 8 de agosto, após apresentar complicações no período pós-operatório de procedimentos estéticos realizados em um hospital particular de Belém.

O laudo de necropsia apontou como causa da morte um choque circulatório irreversível associado a choque hemorrágico e síndrome compartimental abdominal.

Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou quatro profissionais da área da saúde. O procedimento investigativo será encaminhado ao Ministério Público do Pará (MPPA), que deverá analisar as conclusões da polícia e decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça.

O indiciamento representa uma etapa da investigação e não significa condenação. Os profissionais ainda poderão exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório nas etapas judiciais, caso haja denúncia e posterior processo.

Quatro profissionais foram indiciados

O cirurgião plástico André Melo, apontado como responsável pelos procedimentos realizados em Giovanna, foi indiciado por homicídio culposo majorado e falsidade ideológica.

O anestesista César Collyer e o médico Marcelo Antony Dantas, que estava de plantão durante a madrugada, foram indiciados por homicídio culposo majorado.

Já a médica Aline Kzam, que estava no plantão da manhã, foi indiciada por homicídio culposo sem a majorante.

Enquanto a investigação policial foi concluída com os indiciamentos, o CRM-PA ainda aguarda documentos e realiza diligências antes de finalizar a sindicância ético-profissional sobre o caso.

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