Conta de jornalista no Instagram é suspensa após denúncias em massa - Estado do Pará Online

Conta de jornalista no Instagram é suspensa após denúncias em massa

Perfil de Adriano Wilkson, com cerca de 100 mil seguidores, foi retirado do ar pela Meta; sindicato aponta risco à liberdade de imprensa

A conta do jornalista investigativo Adriano Wilkson foi suspensa pelo Instagram na última quinta-feira (16), após a plataforma receber denúncias em massa sobre supostas violações de direitos autorais, segundo notificação enviada ao próprio repórter.

De acordo com a mensagem exibida pela plataforma, o perfil foi retirado do ar por não seguir os termos de uso relacionados à propriedade intelectual, sem detalhar quais conteúdos específicos teriam infringido as regras.

O jornalista afirma que utiliza apenas imagens próprias, documentos públicos e registros de figuras públicas em suas produções, e questiona a justificativa apresentada pela empresa. Ele também relata que, dias antes da suspensão, quatro conteúdos já haviam sido removidos sob a mesma alegação.

Além do perfil pessoal, a conta do movimento FCP Livre, ligado à defesa de transparência na Fundação Cultural do Pará, também foi suspensa no mesmo dia, conforme relatado pelo grupo.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA), o episódio ocorre em meio a uma sequência de situações envolvendo profissionais da imprensa no estado e levanta preocupação sobre possíveis restrições ao exercício do jornalismo.

O perfil de Wilkson era utilizado como principal meio de publicação de reportagens e também como fonte de renda, por meio de doações de seguidores após a divulgação de conteúdos investigativos.

Outro episódio semelhante

Em fevereiro deste ano, o jornalista já havia sido alvo de decisões judiciais que determinaram a retirada de conteúdos relacionados ao prefeito de Belém e proibiram novas publicações sobre o tema.

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde foi apresentado recurso contra as ordens, sob o argumento de que configurariam censura prévia, vedada pela Constituição.

Na ocasião, a determinação envolvia reportagens sobre contratos públicos e políticas municipais, e foi contestada com base no entendimento de que a restrição poderia ferir a liberdade de expressão e o direito à informação.

Sobre Adriano Wilkson

Com mais de 16 anos de atuação, o jornalista já trabalhou em veículos nacionais e, mais recentemente, passou a concentrar sua produção nas redes sociais, abordando temas como política, educação, meio ambiente e cultura.

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