Conselho Nacional de Direitos Humanos aciona MPF para investigar leilão de itens nazistas na internet - Estado do Pará Online

Conselho Nacional de Direitos Humanos aciona MPF para investigar leilão de itens nazistas na internet

CNDH pede apuração ampla sobre venda de símbolos do Terceiro Reich em plataformas on-line

A imagem mostra broches e moedas da época do governo nazista
Reprodução

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) acionou o Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, para investigar a compra e venda de itens com simbologia nazista no Brasil, incluindo suásticas, condecorações militares, documentos oficiais do Terceiro Reich, moedas e distintivos. A representação foi protocolada na quinta-feira (23) e confirmada por veículos nacionais, após a identificação de anúncios ativos em plataformas digitais.

A apuração solicitada envolve a abertura de inquérito civil e/ou criminal para verificar possível apologia ao nazismo, violação da Lei do Racismo e descumprimento de compromissos internacionais assumidos pelo país. Conforme o artigo 20 da Lei 7.716/1989, é crime fabricar, comercializar, distribuir ou divulgar símbolos associados ao nazismo, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

Argumentação do Conselho

Durante buscas em sites de leilão e mecanismos de pesquisa, foi possível localizar, sem dificuldade, anúncios de broches, placas, selos, cartões-postais e outros objetos ligados ao regime nazista, alguns já arrematados por compradores. Parte dos vendedores tenta justificar as ofertas como itens de “valor histórico” ou “colecionáveis”, argumento que, segundo o CNDH, pode favorecer a naturalização desses símbolos e sua apropriação por grupos extremistas.

O conselho também aponta um vácuo institucional na fiscalização. Leiloeiros afirmam encaminhar seus catálogos ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), enquanto o próprio instituto esclarece que sua atuação se limita ao cadastro de negociantes, sem competência para autorizar, vetar ou fiscalizar o conteúdo dos itens comercializados, atribuindo a responsabilidade a outros atores da sociedade e órgãos de controle.

No documento enviado ao MPF, o CNDH solicita a investigação de toda a cadeia envolvida, incluindo a origem e a custódia dos objetos, os agentes econômicos, os compradores, os fluxos financeiros, as plataformas utilizadas e a eventual existência de redes organizadas que se beneficiem desse mercado. A representação é assinada pela presidente do conselho, Ivana Leal, e pelos advogados Carlos Nicodemos e Maria Fernanda Fernandes Cunha.

Histórico de medidas contra leilões semelhantes

Historicamente, outros países têm adotado postura mais restritiva diante desse tipo de comercialização. Em novembro de 2025, a Alemanha cancelou um leilão de artefatos ligados ao Holocausto após protestos de sobreviventes do nazismo e manifestações de autoridades, sob o argumento de que a venda poderia ser ofensiva às vítimas e estimular a banalização da memória histórica.

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