Brasileiros morrem no Líbano durante ataque israelense; criança de 11 anos está entre as vítimas - Estado do Pará Online

Brasileiros morrem no Líbano durante ataque israelense; criança de 11 anos está entre as vítimas

Bombardeio destruiu casa da família no sul do país; sobrevivente já recebeu alta, segundo parentes

Ataque de Israel no sul do Líbano matou mãe e filho brasileiros de 11 anos; bombardeio destruiu casa da família e deixou outro sobrevivente ferido (Foto: Arquivo Pessoal e Exército do Líbano)

Uma criança de 11 anos e a mãe, ambos brasileiros, morreram durante um ataque de Israel no sul do Líbano, no último domingo (26). A informação foi confirmada pelo Itamaraty. O pai, de origem libanesa, também morreu, e um dos filhos do casal, que havia sido hospitalizado, já recebeu alta nas últimas horas.

As vítimas foram identificadas como Manal Jaafar e o filho Ali Ghassan Nader. Segundo relatos de familiares, uma diarista que estava na casa no momento do ataque também morreu. A família estava no imóvel, localizado no distrito de Bint Jbeil, quando foi surpreendida pelo bombardeio.

Parente relata medo e destruição após ataque

Um parente das vítimas, identificado como Nader, afirmou que a população vive sob constante medo na região. “A gente dorme e acorda com medo”, disse em entrevista à imprensa. Segundo ele, a família havia retornado à casa durante a trégua para buscar pertences, já que estava vivendo em outra cidade por causa do conflito.

De acordo com o relato, o ataque destruiu completamente o imóvel. “O bombardeio queimou e derrubou a casa inteira. Agora não tem casa, nem terra, nem nada. A família desapareceu”, afirmou. Ele também criticou o cessar-fogo, classificando-o como “mentiroso”, diante das sucessivas violações.

Familiares informaram ainda que os corpos de algumas das vítimas não haviam sido localizados até a última atualização. O caso reforça o impacto direto dos ataques sobre civis, mesmo em períodos de trégua.

Itamaraty condena ataque e cobra respeito ao cessar-fogo

Em nota, o Itamaraty classificou o episódio como mais uma violação do cessar-fogo anunciado em abril. O governo brasileiro destacou que os ataques têm provocado a morte de dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças.

O Brasil também reiterou a condenação a ações militares durante a trégua, tanto por parte de Israel quanto do grupo Hezbollah, e voltou a defender o cumprimento das resoluções internacionais que preveem o fim das hostilidades.

A embaixada brasileira em Beirute segue prestando assistência à família das vítimas e monitorando a situação no local.

Conflito persiste apesar da trégua

Mesmo com o cessar-fogo em vigor desde 16 de abril, e prorrogado por mais semanas após anúncio do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os confrontos continuam. O acordo foi firmado entre os governos de Israel e do Líbano, mas não contou com adesão formal do Hezbollah.

Israel mantém ataques no sul do país, alegando responder a violações da trégua pelo grupo libanês. Pelos termos do acordo, o país afirma ter o direito de realizar operações militares contra o Hezbollah mesmo durante o cessar-fogo.

Nos últimos dias, tanto Israel quanto o Hezbollah têm trocado ataques com drones e foguetes, o que aumenta o risco de escalada do conflito. O domingo (26), inclusive, foi apontado por autoridades libanesas como o dia mais letal para civis desde o início da trégua.

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