Cidades

Belém prepara plano de enfrentamento ao Super El Niño em meio à previsão de calor extremo e redução das chuvas

Por Felipe Borges
08/07/2026 às 11:10 • 4 min

Foto: Talison Lima / Ascom Segbel

A Prefeitura de Belém iniciou a elaboração do Plano Municipal de Enfrentamento ao Super El Niño 2026–2027, que reunirá ações integradas para prevenir e responder aos impactos do fenômeno climático na capital paraense. A iniciativa foi discutida nesta terça-feira (7), durante uma reunião técnica que contou com a participação de 35 órgãos municipais, estaduais e federais.

Segundo a administração municipal, o plano busca organizar medidas de prevenção, adaptação e resposta diante das projeções climáticas consideradas pela gestão, que apontam mais de 90% de probabilidade de permanência do El Niño até o início de 2027, com intensidade entre forte e muito forte.

Para a Região Norte, as projeções consideradas pela Prefeitura indicam redução das chuvas, aumento das temperaturas, diminuição da umidade do solo e maior risco de queimadas e incêndios florestais. O documento deverá integrar ações de áreas como Defesa Civil, saúde, meio ambiente, infraestrutura, assistência social, educação, mobilidade e comunicação.

O que é o El Niño e quais os impactos esperados

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Embora ocorra de forma natural, seus efeitos podem variar em intensidade e influenciar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do planeta.

Na Amazônia, o fenômeno costuma estar associado a períodos mais secos, temperaturas elevadas e aumento do risco de queimadas, além da redução da umidade do solo. Em cenários de estiagem prolongada, também podem ocorrer impactos sobre o transporte fluvial, o abastecimento de comunidades ribeirinhas e a qualidade do ar, devido ao aumento da fumaça provocada por incêndios.

A preocupação com um novo episódio do El Niño ocorre após os períodos recentes de seca registrados na Amazônia, que afetaram municípios paraenses e provocaram reflexos na mobilidade, no abastecimento e na saúde pública. Diante desse cenário, estados e municípios têm intensificado o monitoramento e o planejamento de ações voltadas aos possíveis impactos do fenômeno.

Plano prevê ações de adaptação e protocolo para calor extremo

De acordo com a Prefeitura, o Plano Municipal será estruturado em três eixos: Mitigação e Adaptação; Resiliência Urbana e Infraestrutura; e Comunicação e Governança. Entre as medidas previstas estão a ampliação da arborização urbana, implantação de microflorestas, corredores verdes, jardins de chuva, biovaletas, bacias de infiltração, vagas verdes e outras soluções baseadas na natureza.

O planejamento também prevê o fortalecimento da agricultura urbana, monitoramento permanente das condições meteorológicas e ações de prevenção e combate a incêndios em áreas periurbanas. Entre as metas anunciadas está o plantio de um milhão de árvores ao longo da atual gestão.

Outro ponto previsto é a criação do Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extremo, que deverá estabelecer critérios para monitoramento das condições climáticas, emissão de alertas e adoção de medidas graduais de resposta. Segundo a Prefeitura, o protocolo contará com quatro níveis de alerta e poderá incluir ações como reforço da comunicação preventiva, implantação de pontos de hidratação, disponibilização de áreas de sombra e resfriamento, além de medidas voltadas à proteção de grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos do calor.

A coordenação técnica do plano ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), enquanto a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel), por meio da Defesa Civil Municipal, será responsável pela coordenação das ações operacionais de prevenção, monitoramento e resposta.

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