Ativista paraense interceptada por Israel chega a Belém

Ativista paraense interceptada por Israel chega a Belém: “Voltei pra casa com as bênçãos de Nazinha”

Beatriz Moreira de Oliveira integrava flotilha internacional que levava ajuda humanitária à Gaza

Reencontro da ativista com familiares foi marcado por emoção no aeroporto de Belém. (Foto: Elielson Almeida)

A ativista paraense Beatriz Moreira de Oliveira desembarcou na manhã desta quinta-feira (28), em Belém, após participar de uma missão humanitária internacional rumo à Faixa de Gaza. A embarcação em que ela estava, integrante da Flotilha Global Sumud, foi interceptada por forças israelenses durante a viagem pelo Mar Mediterrâneo.

Natural do de Belém e integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Beatriz fazia parte de uma delegação internacional formada por ativistas, trabalhadores da saúde e representantes de movimentos sociais de diversos países. A missão levava medicamentos, alimentos e outros suprimentos para a população palestina na Faixa de Gaza, território marcado pelo conflito entre Israel e grupos palestinos, agravado desde outubro de 2023.

A interceptação das embarcações ocorreu em águas internacionais, segundo denunciou a organização da flotilha e entidades de direitos humanos que acompanham o caso. Após dias de tensão e falta de informações sobre os tripulantes, Beatriz retornou ao Brasil e foi recebida com emoção por amigos, familiares e integrantes de movimentos sociais no aeroporto da capital paraense.

Beatriz Moreira voltou ao Pará após participar de missão humanitária rumo à Faixa de Gaza. (Foto: Elielson Almeida)

Durante a chegada, a ativista falou sobre o retorno ao Pará e defendeu a continuidade da mobilização internacional em apoio à Palestina. “Hoje volto para casa, com as bênçãos de Nazinha. E muitos de nós que participaram dessa missão, que foi a maior missão humanitária com caráter plural para romper o cerco ilegal imposto sobre a Palestina, voltamos para casa também”, afirmou.

Apesar do retorno, Beatriz destacou que outros ativistas e milhares de palestinos seguem enfrentando as consequências do conflito. “A luta não pode parar, porque há muitos de nós que ainda estão sob custódia. Só na Palestina histórica, nós temos cerca de 9 mil e 500 pessoas presas. Dessas, 400 são crianças”, declarou.

Beatriz Moreira afirmou que cerca de 9,5 mil palestinos seguem presos, entre eles 400 crianças. (Foto: Elielson Almeida)

A emoção também marcou o reencontro da ativista com integrantes do MAB. Ana Mathis, amiga de Beatriz e militante do movimento, disse que o momento foi de alívio após horas sem notícias da paraense. “É uma mistura de sentimentos. Enquanto militante do MAB, é um orgulho ter uma companheira tão dedicada à construção de uma sociedade mais justa e de solidariedade internacional. Mas também, enquanto amiga da Bia, existe um orgulho pessoal de ver ela levando a luta da Amazônia para o mundo”, afirmou.

Ana também relatou o impacto emocional vivido pelos amigos e familiares durante o período em que Beatriz esteve sem contato. “Foram 48 horas sem notícias da Bia. Ver ela chegando bem fisicamente e emocionalmente é um alívio muito grande”, disse.

Anna Mathis, amiga da ativista, relatou alívio após quase 48 horas sem notícias de Beatriz. (Foto: Elielson Almeida)

A Flotilha Global Sumud tinha como objetivo denunciar a crise humanitária na Faixa de Gaza e chamar atenção internacional para o bloqueio imposto à região. Organizações populares e movimentos sociais seguem cobrando posicionamentos diplomáticos e ações internacionais voltadas à proteção dos ativistas envolvidos na missão.

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