A expansão das apostas online e dos jogos de azar no Brasil provoca perdas estimadas em R$ 38,8 bilhões por ano, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira (2). O montante inclui gastos relacionados a saúde, desemprego, encarceramento e até mortes por suicídio, refletindo consequências sociais associadas ao crescimento desse mercado.
Baseada em dados nacionais e internacionais, a pesquisa revela que 78,8% dos prejuízos correspondem a custos vinculados à saúde. Os pesquisadores destacam a relação entre transtornos provocados pelo jogo e o agravamento de quadros de ansiedade, depressão e risco de suicídio. Apenas no primeiro semestre analisado, o país registrou 17,7 milhões de apostadores, sendo que 12,8 milhões apresentariam situação de risco.
Contrariando a ideia de retorno econômico significativo, os autores apontam que a arrecadação prevista para este ano, estimada em R$ 12 bilhões, não compensa os impactos financeiros causados pelas bets. Atualmente, o setor é tributado em 12% sobre a receita bruta, e tramita no Senado um projeto que pretende elevar essa alíquota para 24%. Mesmo assim, apenas 1% dos valores arrecadados chega ao Ministério da Saúde, sem destinação específica para ações voltadas à saúde mental.
Embora legalizadas desde 2018 e regulamentadas em 2023, as apostas online têm avançado mais rápido do que a capacidade estatal de fiscalização. Organizações ligadas à saúde pedem medidas mais rígidas, como maior taxação destinada ao setor, restrições à publicidade e ações para limitar o acesso de grupos vulneráveis. Já o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que representa empresas do ramo, se posiciona contra o aumento de impostos, argumentando que a iniciativa pode fortalecer o mercado clandestino, estimado em mais da metade das operações virtuais no país.
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