Cidades

Após repercussão na web, deputada aciona MPPA e pede investigação por ‘vagas irrisórias’ no concurso da Seduc-PA

Parlamentar aponta oferta de apenas 2 mil vagas para mais de mil escolas, desproporcionalidade regional e possível uso eleitoreiro da máquina pública

Por Daniel Vinagre
01/09/2026 às 12:00 • 4 min

Processo seletivo é gratuito e será realizado em três etapas: inscrição, classificação automática e convocação para entrega de documentos. (Foto: Agência Pará)

A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) protocolou, na tarde de segunda-feira (31), uma denúncia formal ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) solicitando apuração urgente de possíveis irregularidades no Edital nº 001/2026 (Concurso Público C-223), lançado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Administração (Seplad) e pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

A iniciativa ocorreu após intensa repercussão negativa nas redes sociais por parte de concurseiros e educadores. A representação aponta que a oferta de apenas 2.000 vagas, sendo 1.785 para Professor Classe I, é incompatível com a carência real da rede estadual, constituída por mais de mil unidades de ensino, e questiona o lançamento do certame durante o período de campanha da governadora Hana Ghassan (MDB).

Candidata ao governo aponta déficit de 7 mil trabalhadores na educação

A insuficiência do certame também virou alvo de duras críticas no debate eleitoral para o Governo do Estado. Durante entrevista ao programa Alerta Pará, da TVC, a candidata ao governo estadual Araceli Lemos (PSOL/REDE) apontou que o quantitativo anunciado fica muito aquém da necessidade real das escolas paraenses:

“Hoje existe uma falta, um déficit de 7.000 trabalhadores em educação na Secretaria de Educação, 7.000. Faz anos que não existe um concurso para o Estado na área da educação. Agora, estranhamente, exatamente bem na véspera da eleição, está sendo anunciado um concurso para a Seduc com 1.600 vagas. Ora, se tem um déficit de 7.000 vagas, eu faço um concurso de 1.600 e vou continuar com um quantitativo que não é suficiente para atender às nossas necessidades”, afirmou Araceli.

A candidata defendeu que a prioridade da gestão pública deve ser a valorização profissional e o cumprimento das obrigações legais com a categoria:

“Educação é, sem sombra de dúvida, um dos mais importantes instrumentos de transformação. Então, investir em melhoria da infraestrutura, investir na contratação de pessoal, investir na valorização dos trabalhadores, garantir o piso salarial do magistério é obrigação de todo governante”, completou.

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Déficit de vagas, disparidade regional e reação na web

Conforme a fundamentação apresentada no ofício entregue ao MPPA, a distribuição das vagas no edital compromete a recomposição do quadro efetivo da educação. Para toda a Região Metropolitana de Belém foram destinadas apenas 376 vagas. Já para as Diretorias Regionais de Ensino (DREs) do interior, em polos como Marabá, Santarém, Altamira e Breves, o edital prevê o limite de uma a duas vagas para disciplinas essenciais como Biologia, Química, Física, História e Filosofia.

A publicação do certame gerou uma forte onda de indignação entre os candidatos nas redes sociais.

Um dos inscritos desabafou que “esse edital ridículo da Seduc Pará acabou com a minha semana, jogaram essas migalhas de vagas só pra dizer que fizeram algo e ajudar na campanha da Hana”.

Outra pessoa também comentou na rede social classificando a publicação como “um edital VERGONHOSO, sinceramente. É pra entrar em Panem é? Uma palhaçada”.

A frustração também foi compartilhada por outro internauta que relatou que “bateu a depressão depois desse edital da Seduc-PA. Será que nunca serei professor concursado da rede estadual de ensino?”, enquanto outro concurseiro criticou o formato e a limitação do quadro, afirmando que o documento “tá parecendo uma mistura de folder com artigo científico, o pior é só as 3 vagas para professor de Biologia em Santarém”.

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