A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (6), a criação de um Plano de Farmacovigilância Ativa para monitorar o uso das chamadas “canetas emagrecedoras” no país. A medida ocorre em meio ao crescimento expressivo do consumo desses medicamentos e ao aumento de registros de efeitos adversos relacionados ao uso inadequado ou fora das indicações previstas em bula.
O novo plano representa uma mudança na estratégia da agência reguladora. Em vez de depender apenas de notificações espontâneas feitas por pacientes e profissionais de saúde, a Anvisa passará a realizar um acompanhamento proativo em parceria com hospitais, instituições de ensino, serviços de saúde e laboratórios.
O foco da ação é monitorar os medicamentos agonistas do receptor do GLP-1, grupo que inclui substâncias como a semaglutida, utilizadas principalmente no tratamento de diabetes e obesidade, mas que ganharam popularidade pelo efeito de perda de peso.
Complicações
Segundo o diretor da Anvisa, Thiago Lopes Cardoso Campos, entre 2018 e março de 2026 foram registradas 2.965 notificações de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, com aumento significativo dos casos em 2025. A maioria das notificações envolve produtos à base de semaglutida.
“Estamos diante de medicamentos com benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situações fora das indicações aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clínico adequado”, afirmou o diretor durante reunião pública da agência.
Comercialização irregular
A Anvisa também demonstrou preocupação com o crescimento da circulação de produtos falsificados ou manipulados sem controle sanitário adequado. Segundo a agência, o aumento da demanda pelas canetas emagrecedoras tem favorecido a comercialização irregular de medicamentos pela internet e em canais clandestinos.
A venda de medicamentos falsificados é considerada crime previsto no artigo 273 do Código Penal. De acordo com Campos, esses produtos representam risco elevado à saúde porque não há garantia de esterilidade, qualidade, dosagem correta ou eficácia.
“Medicamentos falsificados ou sem garantia de origem representam um risco sanitário gravíssimo. Não há como assegurar esterilidade, qualidade, dosagem ou eficácia, o que pode expor pacientes a eventos adversos sérios e danos irreversíveis”, alertou.
O monitoramento contará com apoio da Rede Sentinela, formada por hospitais, universidades, laboratórios e serviços de assistência farmacêutica em todo o país. A ação também terá participação da HU Brasil, antiga Ebserh, responsável pela rede de hospitais universitários federais.
Fiscalização
Além disso, a Anvisa informou que mantém acordo de cooperação com a Polícia Federal para intensificar ações de fiscalização e combate à comercialização irregular desses medicamentos.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que o cenário exige atuação rigorosa da agência reguladora diante da popularização das canetas emagrecedoras.
“Não podemos apenas esperar que as notificações cheguem à agência. É preciso organizar junto aos serviços de saúde uma busca estruturada que permita detectar precocemente eventos adversos”, destacou.
A agência reforçou ainda que o acompanhamento pós-comercialização é fundamental para identificar riscos raros ou efeitos que só aparecem após o uso em larga escala pela população.
A Anvisa orienta que o uso desses medicamentos seja feito apenas com prescrição e acompanhamento médico adequado.
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