Álbum da Copa de 2026 pode custar mais de R$ 7 mil para completar e se torna o mais caro da história - Estado do Pará Online

Álbum da Copa de 2026 pode custar mais de R$ 7 mil para completar e se torna o mais caro da história

Com mais seleções e aumento no preço dos pacotes, completar a tradicional coleção de figurinhas da Panini exige investimento recorde dos torcedores.

Álbum de figurinhas da Copa: uma tradição de pai para filho. (EThamPhoto/Getty Images)

A tradição de colecionar álbuns de figurinha da Copa do Mundo atravessa gerações no Brasil. Desde o século passado, na época que craques como Pelé, Tostão e Rivellino desfilavam na Seleção Brasileira, jovens de todas as idades viviam a expectativa de conseguir o maior número de figurinhas possíveis.

Primeiro álbum de figurinhas da Copa, de 1970. (Dalton Cara/ESPN)

Valores inflacionados

Mas com o passar dos anos, o hábito virou quase um luxo. De acordo com um levantamento divulgado pela BBC Brasil, o valor para completar o álbum completo em 2026 pode chegar a mais de R$ 7,3 mil. Além da inflação, também há outro motivo para esse aumento.

Isso é mais do que o do dobro do Copa do Mundo anterior, de 2022, realizada no Catar e que teve a Argentina de Lionel Messi como a grande campeã.

Pela primeira vez, o torneio contará com 48 seleções, substituindo as 32 das edições anteriores, o que aumentou o total de figurinhas para cerca de 980 e tornou esta a maior coleção já lançada pela Panini Comics.

Cada envelope custará R$ 7 e vem com sete cromos. O álbum da Copa do Mundo na versão brochura é vendido por R$ 24,90, enquanto a edição com capa dura custa R$ 74,90.

Para se ter uma noção, em 2018, uma pessoa gastava apenas R$2 para comprar um pacote com cinco figurinhas do álbum.

Tradição que passa de pai para filho. (Getty Images)

Pesando no bolso

Em entrevista ao Estado do Pará Online (EPOL), Kelwy Gomes, relatou que “afetou um pouco (o aumento de preço), então acredito que diminuiu bastante o poder de compra pra tu conseguir comprar mais pacotes em relação às outras edições, que eram mais baratas”.

Kelwy é estudante na Universidade Federal do Pará (UFPA), e ressaltou que “ainda existem pontos de troca, então ainda tem procura e oferta, mas eu acho que isso vem diminuindo cada vez mais. Principalmente porque o brasileiro também fica mais desacreditado no futebol do Brasil, e soma isso ao desinteresse das gerações mais novas, que vivem muito mais no digital”.

O estudante universitário ainda quebra um padrão, de pegar apreço por colecionar mesmo sem a relação familiar. “Eu tive muito esse interesse por causa dos meus amigos, principalmente pelas trocas de figurinhas. Na minha família isso não era tão forte. Meu pai mesmo nem curte tanto futebol. Tinha um primo ou outro que gostava, mas foi mais pelos amigos da escola na época. As trocas de figurinhas repetidas acabavam criando esse grupo social também, era uma parte muito legal da experiência”, completa.

Ponto de troca de figurinhas em shopping de Belém. (Reprodução/Instagram)

Copa do Mundo movimenta o mercado

Os custos exacerbados do álbum de figurinhas da Panini refletem uma mudança global nos valores de consumo. Apesar disso, o varejo segue em alta.

Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), estima-se que aproximadamente 99,2 milhões de consumidores pretendem fazer compras para participar da Copa do Mundo. A pesquisa também indica que 60% dos consumidores planejam adquirir produtos ou serviços relacionados à Copa de 2026.

O estudo reforça que o brasileiro mantém o hábito de transformar os jogos em experiências coletivas, já que 97% pretendem assistir às partidas em grupo, principalmente com familiares (77%) e amigos (60%). Apenas 3% dos entrevistados dizem que irão acompanhar os jogos sozinhos.

Entre os produtos mais procurados para consumo, segundo a CNDL, estão bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), carnes para churrasco (60%) e cervejas (59%).

Já o uniforme do torcedor aparece como prioridade para 61% dos consumidores, que pretendem comprar camisas oficiais ou temáticas, além de acessórios como bandeiras e cornetas (42%).

A pesquisa não divulga, portando, o álbum de figurinhas presente como algo obrigatório entre os torcedores.

Rumo ao Hexa

Já em clima total de Copa do Mundo, a Seleção Brasileira realiza os dois últimos amistosos preparatórios antes do Mundial contra o Panamá, no dia 31 de maio, no Maracanã, e diante do Egito, em 6 de junho, em Cleveland, nos Estados Unidos.

A estreia do Brasil na Copa será contra o Marrocos, no dia 13 de junho, em Nova Iorque.

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