A Marquês de Sapucaí foi palco de mais um momento de emoção e representatividade paraense na noite da última terça-feira (17). A musa Alane Dias, que retorna pelo segundo ano consecutivo como destaque da Acadêmicos do Grande Rio, encantou o público com uma apresentação que uniu samba no pé, consciência ambiental e uma homenagem profunda às raízes culturais nordestinas.
Em sintonia com o enredo “A Nação do Mangue”, que celebra o movimento Manguebeat surgido no Recife nos anos 1990, a fantasia de Alane foi concebida com um forte apelo sustentável. O figurino trazia franjas aplicadas nas costas e nos braços confeccionadas a partir de 50 garrafas PET, transformando material descartável em brilho e arte na avenida.
A escolha dos materiais não foi aleatória. Alane, que é natural de Belém e sempre demonstrou preocupação com pautas ambientais, explicou nas redes sociais o conceito por trás da produção. “Uma fantasia que nasce das festas e da pirraça das ruas de Pernambuco, da vibração das alfaias dos mestres do maracatu, do frevo, da alegria e força dos brincantes que transformam a rua em palácio. Nobre é o povo. A cultura é coroa”, escreveu a artista em seu perfil.
A musa destacou ainda a importância de levar a mensagem de reaproveitamento para um dos palcos mais visíveis do país. “As mangas são feitas de garrafa PET para, mais uma vez, o descartável virar brilho na Avenida. É muito gratificante ter esse espaço para manter na fantasia o caminho que estamos trilhando, com a reutilização e conscientização sendo lemas para essa festa!”, afirmou.
Essa não foi a primeira incursão de Alane pelo universo da moda consciente. Durante os preparativos para o Carnaval, a ex-BBB já havia chamado atenção ao desfilar em ensaios com looks criados pela própria mãe utilizando cola quente e materiais acessíveis, sempre com foco na sustentabilidade.
O desfile da Grande Rio neste ano foi uma verdadeira imersão na obra e no legado de Chico Science, líder do movimento Manguebeat que revolucionou a música brasileira nos anos 1990. Alane fez questão de incorporar em sua performance a energia e a cadência das tradições populares de Pernambuco.
Ao encerrar sua publicação nas redes, a musa citou diretamente o ícone pernambucano: “Minha fantasia carrega a nobreza que não vem do silêncio dos salões, mas do som dos tambores. Vem da rua. Como dizia Chico Science: ‘basta deixar tudo soando bem aos ouvidos’. Hoje essa história vai ser reconhecida!”.
A conexão com o maracatu, manifestação cultural afro-brasileira tradicional de Pernambuco, também esteve presente nos movimentos e na postura da artista ao longo da avenida.
Alane, que é formada em teatro e tem formação em ballet, conciliou os ensaios da escola com a reta final da faculdade e novos projetos profissionais, incluindo a gravação do filme “O Verão da Lata”. Ela admitiu que, neste segundo ano como musa, aprendeu a aproveitar melhor cada momento. “É uma tranquilidade ressignificada. O coração sempre fica no ritmo da bateria, mas eu estou aprendendo a curtir mais. Às vezes eu quero tanto estar no meu melhor que esqueço de aproveitar, então agora estou me permitindo me divertir também”, declarou em entrevista antes do desfile.
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