Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de cessar-fogo neste domingo (14), segundo informações divulgadas pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, um dos mediadores das tratativas.
O anúncio representa uma tentativa de abrir caminho para novas negociações que podem resultar no encerramento definitivo da guerra no Oriente Médio, conflito que já se estende por cerca de três meses e meio, provocou milhares de mortes e gerou impactos na economia mundial.
Trump confirmou o acordo em uma publicação nas redes sociais. “O acordo com o Irã foi concluído. Parabéns a todos!”, escreveu o presidente dos Estados Unidos.
O governo iraniano ainda não divulgou uma manifestação oficial sobre o acordo, mas confirmou que o general Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador do país, e o chanceler Abbas Araghchi viajarão para Genebra, na Suíça, para a assinatura do documento.
Cessar-fogo terá duração inicial de 60 dias
O texto completo do acordo ainda não foi divulgado, mas as informações apresentadas indicam que a primeira etapa prevê um cessar-fogo de 60 dias. Após esse período, Estados Unidos e Irã devem iniciar novas negociações para tentar estabelecer um tratado definitivo.
De acordo com Trump, o acordo também prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma importante rota para o transporte de petróleo, sem pedágios a partir de sexta-feira (19). O presidente americano afirmou ainda que autorizou a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
Shehbaz Sharif declarou que uma cerimônia oficial de assinatura está prevista para ocorrer na sexta-feira, na Suíça.
Questões sobre programa nuclear seguem pendentes
Mesmo com o avanço das negociações, alguns dos principais pontos de divergência entre os países continuam sem definição. Entre eles estão o futuro do programa nuclear iraniano e o possível alívio das sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra o Irã.
Esses temas devem ser discutidos em uma nova rodada de negociações durante os próximos 60 dias.
Ataques de Israel ameaçaram andamento do acordo
Antes da conclusão da trégua, o acordo chegou a ficar em risco após ataques de Israel contra os subúrbios de Beirute, no Líbano. A ofensiva ocorreu como resposta a disparos de foguetes e drones atribuídos ao Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã.
Trump criticou a ação israelense e afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não teria demonstrado “bom senso” ao autorizar os ataques.
Após uma série de negociações de última hora, lideradas pelo Catar, as tensões foram reduzidas e o acordo foi fechado no início da madrugada em Teerã.
Líbano é outro ponto de impasse
O conflito envolvendo o Líbano também aparece como um dos desafios para um acordo definitivo. O Irã defende que qualquer tratado de paz inclua o fim dos ataques israelenses contra o Hezbollah e a retirada das forças israelenses de áreas ocupadas no território libanês.
Israel afirmou que continuará realizando ataques caso o grupo libanês volte a atingir seu território.
Apesar do anúncio, o acordo ainda depende das próximas negociações para definir os termos de uma solução permanente para o conflito.
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