Política

Moraes questiona relatório da PF e nega acusações antes de sessão no STF

Ministro afirma que órgão estrangeiro pode ter auxiliado na elaboração de documento e classifica iniciativa de investigação como “vingança”

Por Felipe Borges
15/09/2026 às 08:43 • 4 min

Reprodução / X

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que um relatório da Polícia Federal (PF) relacionado a supostas mensagens envolvendo seu nome e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pode ter recebido auxílio de um órgão estrangeiro. A declaração consta em uma manifestação de 44 páginas encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, na segunda-feira (14).

No documento, Moraes nega ter cometido qualquer crime e questiona a validade do relatório apresentado no caso. O ministro afirma que houve possíveis irregularidades na produção do material e pede que o documento seja considerado nulo.

A manifestação foi apresentada após Edson Fachin abrir prazo para que os envolvidos se pronunciassem sobre o caso. Além de Moraes, foram chamados a se manifestar o ministro André Mendonça, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Moraes questiona origem do relatório

Um dos principais argumentos apresentados pelo ministro é uma suposta quebra da cadeia de custódia das informações utilizadas no relatório da PF.

Segundo Moraes, os metadados do documento indicariam que a abertura e a finalização do arquivo ocorreram no mesmo dia em computadores da Polícia Federal. Para o ministro, isso levantaria a possibilidade de que o material tenha sido produzido anteriormente fora da corporação e posteriormente inserido nos sistemas da PF.

Moraes afirma ainda que um órgão externo, possivelmente estrangeiro, poderia ter auxiliado na elaboração do documento.

Na manifestação, o ministro classifica o relatório como “nulo e imprestável” e contesta a utilização das informações relacionadas às supostas mensagens atribuídas a ele e Daniel Vorcaro.

Ministro chama iniciativa de “vingança”

Alexandre de Moraes também classificou como uma tentativa de “vingança” a iniciativa de investigar as informações relacionadas ao seu nome.

Na avaliação do ministro, o caso teria motivação político-eleitoral e poderia estar relacionado a uma tentativa de atingir integrantes do STF e outras autoridades.

Moraes também afirmou que a apuração poderia representar uma tentativa de interferência externa nas eleições de 2026.

O ministro negou a existência de infração penal e questionou a forma como as informações foram selecionadas e apresentadas no relatório.

Pedido de investigação

O caso chegou ao STF após André Mendonça apresentar elementos relacionados às supostas mensagens envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro.

Na manifestação enviada a Fachin, Moraes contesta a abertura da investigação e argumenta que não haveria elementos suficientes para justificar uma apuração criminal.

O ministro também questiona a competência e os procedimentos adotados no caso, além de defender a nulidade do relatório da Polícia Federal.

Como será a sessão do STF

O Supremo Tribunal Federal realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para analisar o caso envolvendo as mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A sessão está prevista para começar às 10h.

Os ministros deverão analisar os elementos reunidos no relatório da Polícia Federal e discutir os próximos passos em relação às informações apresentadas no caso.

A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, após a apresentação dos elementos por André Mendonça e as manifestações das autoridades envolvidas.

A análise desta terça-feira não representa, por si só, um julgamento sobre eventual responsabilidade criminal de Moraes. O objetivo é definir o encaminhamento do caso e avaliar a necessidade de uma investigação formal.

O julgamento ocorre em meio a posições divergentes sobre a validade do relatório e sobre a necessidade de apuração dos fatos. Moraes nega ter cometido qualquer crime e contesta o documento da PF, enquanto Mendonça defende a análise dos elementos apresentados.

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