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Zélia Amador de Deus será homenageada no Auto do Círio 2026 em Belém

Professora, pesquisadora e ativista, que morreu aos 76 anos, foi uma das idealizadoras do cortejo e marcou a luta antirracista e a produção cultural na Amazônia.

Por Alexandre Alencar
15/09/2026 às 14:34 • 3 min
Professora, pesquisadora e ativista, que morreu aos 76 anos, foi uma das idealizadoras do cortejo e marcou a luta antirracista e a produção cultural na Amazônia

Ascom/UFPA

Zélia Amador de Deus, professora, pesquisadora, artista e uma das principais referências da luta antirracista na Amazônia, será a grande homenageada do Auto do Círio 2026. A 32ª edição do cortejo será realizada no dia 9 de outubro, na Cidade Velha, em Belém, na sexta-feira que antecede o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

A homenagem foi anunciada neste domingo (13), durante o lançamento oficial da programação do Auto do Círio, realizado no Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará (ICA/UFPA), na Praça da República. O momento também foi marcado por lembranças à trajetória de Zélia, que morreu na última terça-feira (8), aos 76 anos, em Belém.

Familiares, artistas e integrantes da comunidade acadêmica participaram do lançamento. A programação contou com momentos dedicados à memória da professora e terminou com um cortejo pela Praça da República.

Zélia esteve ligada à criação do Auto do Círio, projeto de extensão da UFPA que surgiu com a proposta de aproximar diferentes manifestações artísticas da cultura popular durante o período das festividades de Nossa Senhora de Nazaré.

Para 2026, o cortejo terá como tema “Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé”. A preparação para o evento inclui ainda oficinas relacionadas às diferentes linguagens e atividades que fazem parte da manifestação cultural.

Trajetória de Zélia Amador de Deus

A história de Zélia com o Auto do Círio começou ainda na concepção do projeto dentro da UFPA. Ligada às artes, especialmente ao teatro, ela também participou da criação da Companhia de Teatro Cena Aberta, na década de 1970.

Sua atuação, porém, ultrapassou o campo artístico e acadêmico. Zélia se consolidou como uma das principais vozes do movimento negro no Pará e na Amazônia. Ela esteve entre as fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e participou de iniciativas voltadas à defesa das ações afirmativas e da igualdade racial.

Na Universidade Federal do Pará, instituição onde desenvolveu parte significativa de sua carreira, Zélia ocupou o cargo de vice-reitora entre 1993 e 1997. Com isso, tornou-se a primeira pessoa negra a chegar à vice-reitoria da universidade. Anos depois, recebeu da própria instituição o título de professora emérita.

A morte da professora gerou manifestações de pesar e homenagens de universidades, entidades, movimentos sociais e representantes da cultura. Após o falecimento, a UFPA decretou luto oficial de três dias.

O Auto do Círio 2026 será realizado em 9 de outubro, na Cidade Velha, mantendo a tradição de ocorrer na sexta-feira que antecede o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

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