Cidades

32º Grito dos Excluídos reúne movimentos sociais na Terra Firme em defesa do Rio Tucunduba e da moradia

Ato realizado na manhã deste sábado (5) cobrou preservação ambiental, moradia digna e fim da remoção de árvores na periferia de Belém

Por Daniel Vinagre
05/09/2026 às 12:40 • 3 min

Foto: reprodução/ redes sociais

Movimentos sociais, moradores e lideranças comunitárias ocuparam as ruas do bairro da Terra Firme, em Belém, na manhã deste sábado (5), durante a realização do 32º Grito dos Excluídos e das Excluídas. Realizada no Dia da Amazônia, a caminhada teve como foco central a denúncia dos impactos socioambientais provocados pelas obras do Parque Linear do Tucunduba e a defesa do direito à moradia digna.

A concentração teve início às 8h no barracão do Boi Marronzinho, na Passagem Brasília, de onde os manifestantes saíram em caminhada por vias do bairro acompanhados por intervenções culturais, apresentações de rap e discursos políticos. O encerramento do ato ocorreu na área do canal do Tucunduba afetada pela retirada de vegetação.

Críticas ao projeto do Parque Linear e supressão de árvores

O ato público antecipou a pauta do Grito dos Excluídos em Belém para dar visibilidade às reivindicações locais e aos dados do dossiê técnico elaborado pelo Observatório das Baixadas sobre o Contrato nº 038/2025 da Secretaria de Estado de Obras Públicas (SEOP-PA).

Segundo o levantamento apresentado pelas entidades, o projeto de reurbanização prevê a supressão mecanizada de mais de 14 mil m² de vegetação na várzea do Tucunduba, prevendo a substituição da cobertura vegetal por estruturas de concreto e gramado artificial, sem a inclusão prioritária de árvores nativas da Amazônia.

Lideranças do movimento SOS Tucunduba e do Defensores dos Rios Urbanos ressaltaram que a intervenção urbana não pode resultar na expulsão das famílias históricas da baixada nem na perda do canal como via de navegabilidade para o transporte de alimentos vindos das ilhas de Belém.

Plantio de mudas e foto varal encerram mobilização

Ao final do percurso, os participantes realizaram um ato simbólico de plantio de mudas de árvores nativas às margens do canal e expuseram o foto varal do projeto Periferia Viva-Tucunduba Verde e Resiliente, iniciativa desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Ministério das Cidades para promover soluções comunitárias contra o calor extremo e os alagamentos.

As entidades organizadoras confirmaram que encaminharão representações formais aos órgãos ambientais e ao Ministério Público para exigir a apresentação das licenças de supressão vegetal e a realização de audiências públicas com os moradores.

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