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Palavras revelam prioridades: o que os planos de governo dos candidatos ao Pará dizem sobre educação, segurança e meio ambiente

Análise de sete temas mostra diferenças na forma como seis candidatos estruturam seus programas; frequência de termos ajuda a identificar quais assuntos ganham mais espaço no discurso de cada campanha

Por Mayra Peniche
04/09/2026 às 16:28 • 9 min

Foto: Imagem gerada por IA

Os planos de governo apresentados pelos seis candidatos ao Governo do Pará revelam prioridades diferentes quando analisados a partir das palavras utilizadas nos documentos. Um levantamento realizado a partir de termos relacionados a mulher, meio ambiente, saúde, educação, segurança, emprego e infraestrutura mostra que os candidatos não dão o mesmo peso, em seus textos, aos principais temas que devem marcar a disputa eleitoral.

Mais do que contar palavras, a análise permite observar quais assuntos aparecem com maior frequência no discurso escrito de cada candidatura. A escolha dos termos pode funcionar como um indicativo das áreas que cada candidato procura destacar ao apresentar suas propostas ao eleitorado.

É importante ressaltar que o levantamento não mede a qualidade das propostas, nem permite afirmar quanto cada candidato pretende investir em determinada área. Um tema pode aparecer poucas vezes e, ainda assim, conter propostas detalhadas. Da mesma forma, a repetição de uma palavra não significa necessariamente que o programa tenha medidas mais consistentes para aquele setor.

Entre os seis planos analisados, Hana Ghassan e Gal Leite concentram os maiores volumes de ocorrências das palavras-chave pesquisadas. Na outra ponta, Ruth Reis aparece com o menor número de registros. Araceli Lemos também apresenta um volume menor, mas a distribuição das palavras entre os diferentes temas chama atenção.

A importância de olhar para as palavras

Um plano de governo é, além de um conjunto de propostas, uma forma de comunicação política. A maneira como um candidato escolhe apresentar seus objetivos ajuda a construir a imagem que pretende transmitir ao eleitor.

Por isso, palavras como “segurança”, “educação”, “mulheres”, “emprego”, “meio ambiente” e “infraestrutura” podem revelar quais assuntos recebem maior espaço na construção do discurso.

O levantamento permite, assim, fazer uma comparação entre os programas sem necessariamente estabelecer um ranking de quem tem o “melhor” plano.

Um dos exemplos mais interessantes aparece no programa de Araceli Lemos.

Trajetória na educação não se traduz em maior frequência no plano de Araceli

Professora e historiadora, Araceli tem sua trajetória política diretamente relacionada à educação. Ela foi secretária municipal de Educação de Belém e construiu parte de sua atuação pública ligada ao setor e ao movimento sindical.

Apesar disso, educação não é o tema com maior número de ocorrências entre as palavras-chave analisadas em seu plano.

Foram contabilizadas 25 ocorrências relacionadas à educação. Mulher aparece com 16, segurança com 10, infraestrutura com seis, emprego com cinco, enquanto saúde e meio ambiente registram três ocorrências cada.

O dado não significa que a educação tenha pouca importância nas propostas da candidata. O programa pode abordar o tema por meio de expressões que não foram incluídas na metodologia do levantamento.

Ainda assim, o resultado cria um contraste interessante entre a trajetória pública da candidata e a frequência das palavras utilizadas em seu plano. A área que marca sua experiência profissional não é, necessariamente, aquela que mais aparece no documento.

Comparação entre quem lidera as pesquisa: Daniel e Hana prioridades diferentes

Daniel Santos e Hana Ghassan, dois dos candidatos que aparecem com maior presença de palavras relacionadas à segurança, apresentam perfis diferentes quando o conjunto dos planos é comparado.

Hana registra 68 ocorrências na temática segurança, enquanto Daniel aparece com 66, uma diferença pequena entre os dois. O dado mostra que o tema ocupa espaço importante nos dois documentos.

A diferença aparece quando a segurança é comparada às demais áreas. No plano de Daniel, ela se destaca como um dos temas mais presentes, seguida por emprego, com 45 ocorrências. Educação aparece com 24 registros, saúde com 17 e meio ambiente com apenas sete.

Já no plano de Hana, a distribuição é mais ampla. Além das 68 ocorrências relacionadas à segurança, a candidata registra 80 na educação, 52 em emprego e 52 em infraestrutura, o que indica uma presença mais equilibrada dessas áreas no documento.

Na temática mulher, a diferença também é significativa. Hana registra 94 ocorrências, enquanto Daniel soma 10.

O meio ambiente apresenta números menores para os dois candidatos, mas Hana aparece novamente à frente, com nove ocorrências, contra sete de Daniel.

A comparação mostra que, embora a segurança seja uma prioridade comum aos dois candidatos, Daniel constrói um plano com maior concentração nesse tema e no emprego, enquanto Hana distribui de forma mais equilibrada a presença de palavras entre educação, segurança, mulheres, emprego e infraestrutura.

Gal e Well lideram em educação

Quando o recorte é educação, Gal Leite e Well Macedo aparecem muito à frente dos demais candidatos.

Gal registra 90 ocorrências, enquanto Well chega a 88. Hana Ghassan aparece em seguida, com 80. Daniel Santos tem 24, Araceli 25 e Ruth Reis, 10.

Os números colocam Gal e Well em uma posição bastante diferente dos demais candidatos quando o critério é a frequência dos termos relacionados à educação.

No plano de Gal, entretanto, a educação não aparece isoladamente. A candidata também apresenta volume expressivo de ocorrências em temas como mulheres, infraestrutura, saúde e segurança.

Hana também apresenta uma distribuição relativamente ampla. São 80 ocorrências em educação, 68 em segurança, 52 em emprego e 52 em infraestrutura.

O resultado mostra que, no documento da atual governadora, a educação ocupa espaço importante, mas divide protagonismo com outros temas.

Segurança ganha destaque nos programas de Daniel e Hana

A segurança é outro tema que ajuda a diferenciar os candidatos.

Daniel Santos registra 66 ocorrências relacionadas às palavras-chave “polícia” e “segurança”. Hana Ghassan aparece com 68.

No caso de Daniel, o peso do tema fica mais evidente quando comparado às demais áreas. O plano apresenta 45 ocorrências relacionadas a emprego, 24 em educação e 17 em saúde.

A distribuição ajuda a construir um perfil discursivo no qual segurança e emprego aparecem com mais força do que educação, saúde e meio ambiente.

Hana, por outro lado, apresenta uma distribuição mais equilibrada. Embora segurança tenha 68 ocorrências, a educação chega a 80, enquanto emprego e infraestrutura aparecem com 52 cada.

Mulher é uma das áreas com maior distância entre candidatos

A temática relacionada às mulheres está entre aquelas que apresentam uma das maiores diferenças entre os programas.

Gal Leite lidera, com 99 ocorrências, seguida por Hana, com 94. Well Macedo aparece com 69.

Araceli registra 16 ocorrências, Daniel 10 e Ruth Reis não apresenta ocorrências nas quatro palavras-chave consideradas para esse grupo: “gênero”, “feminicídio”, “LGBT” e “mulheres”.

O resultado, porém, precisa ser interpretado com cautela. Não registrar uma determinada palavra não significa que o candidato não tenha propostas voltadas às mulheres ou à população LGBT.

O dado revela, especificamente, que os termos escolhidos para o levantamento não aparecem no documento de Ruth Reis.

Ainda assim, a diferença é relevante para entender como as campanhas constroem seus discursos. Enquanto alguns programas recorrem repetidamente a termos relacionados a gênero, mulheres e população LGBT, outros dão menos espaço a essa linguagem.

Emprego e infraestrutura também mostram diferenças

Em emprego, Hana lidera com 52 ocorrências, seguida por Daniel, com 45. Gal registra 32, Well 25, Ruth Reis 10 e Araceli cinco.

Na infraestrutura, Gal e Hana voltam a aparecer entre os maiores números: 56 e 52 ocorrências, respectivamente. Well registra 45, enquanto Daniel tem 12 e Araceli seis.

Ruth Reis aparece com três ocorrências contabilizadas. No entanto, há uma ressalva metodológica: a palavra-chave “transporte” aparece sem valor na tabela original. Dessa forma, o número atribuído ao candidato nessa categoria não representa necessariamente a totalidade das ocorrências relacionadas à infraestrutura.

Meio ambiente aparece atrás de outras prioridades

Entre os sete temas analisados, o meio ambiente apresenta uma frequência menor na maioria dos programas.

Gal Leite registra 21 ocorrências, seguida por Well Macedo, com 17. Hana tem nove, Daniel sete, Ruth Reis cinco e Araceli três.

A categoria considera palavras relacionadas a meio ambiente, garimpo ilegal, desmatamento e mudanças climáticas.

Mais uma vez, o número não permite concluir que determinado candidato tenha ou não propostas ambientais. O que ele mostra é o espaço ocupado pelos termos selecionados dentro do texto.

Na comparação geral, entretanto, o meio ambiente aparece menos frequentemente do que temas como educação, segurança, emprego e infraestrutura na maior parte dos programas analisados.

O que os números mostram

A análise evidencia que os seis candidatos utilizam seus planos de governo de maneiras diferentes. Gal Leite e Hana Ghassan apresentam os maiores volumes de ocorrências entre as palavras-chave analisadas, enquanto Ruth Reis aparece com o menor número de registros.

Mas talvez o aspecto mais relevante não seja identificar quem tem mais ou menos palavras. É perceber quais palavras cada candidatura escolhe repetir e quais temas acabam ocupando mais espaço na narrativa apresentada ao eleitor.

Gal se destaca especialmente nas categorias mulher, educação e infraestrutura. Hana apresenta números elevados em praticamente todos os grupos, com destaque para educação, mulher e segurança. Daniel concentra maior presença em segurança e emprego. Well aparece com força em educação, mulher e infraestrutura. Araceli apresenta um número menor de ocorrências, mas a educação é seu principal eixo entre as palavras pesquisadas. Já Ruth Reis aparece com os menores registros em boa parte das categorias.

Assim, os planos funcionam também como um retrato do discurso eleitoral de cada candidatura. A frequência das palavras não substitui a leitura das propostas, mas ajuda a identificar, de forma objetiva, quais assuntos cada candidato escolheu colocar mais vezes no papel ao apresentar sua visão para o futuro do Pará.

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