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Bole-Bole garante vaga na final de samba-enredo da Beija-Flor para o Carnaval 2027

Samba da tradicional escola de Belém está entre as seis obras que seguem na disputa pelo enredo “Zeneida: O sopro do pó de louro”.

Por Alexandre Alencar
04/09/2026 às 14:29 • 3 min
Samba da tradicional escola de Belém está entre as seis obras que seguem na disputa pelo enredo “Zeneida: O sopro do pó de louro”

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A Associação Carnavalesca Bole-Bole, tradicional agremiação do bairro do Guamá, em Belém, garantiu presença na final do concurso de samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval 2027. A semifinal foi realizada na noite desta quinta-feira (3), na quadra da escola de samba, no Rio de Janeiro.

A composição que representa a escola paraense avançou na disputa ao lado do Xodó da Nega, também de Belém, e de outras quatro parcerias identificadas como Samba 01, Samba 02, Samba 13 e Samba 39.

Entre as seis obras classificadas, os sambas que chegaram à decisão chamaram atenção principalmente pela força dos refrões e pela capacidade de envolver o público durante as apresentações. A escolha definitiva será realizada na próxima quinta-feira (10), quando a comunidade da Beija-Flor definirá o samba-enredo oficial para o Carnaval de 2027.

O enredo será “Zeneida: O sopro do pó de louro”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo e dedicado à trajetória e ao legado de Zeneida.

Samba da Bole-Bole empolga quadra da Beija-Flor

O samba defendido pela Bole-Bole é assinado por Herivelto Martins e Silva, o Vetinho, e encerrou a noite de apresentações da semifinal. Segundo avaliação publicada pelo site Carnavalesco, a obra teve uma apresentação marcada pela energia e foi bastante comemorada pelo público presente na quadra.

Mesmo sendo minoria entre os torcedores presentes em Nilópolis, os paraenses fizeram questão de apoiar a composição. A torcida da Bole-Bole participou ativamente da apresentação e contou também com o incentivo de simpatizantes para aumentar o coro durante o samba.

No carro de som, o intérprete Wantuir conduziu a apresentação. A performance transcorreu de maneira segura, enquanto a composição apostou em uma melodia progressiva e envolvente, acompanhada por um refrão de forte apelo popular.

Um dos elementos que diferenciam a obra é a opção por contar a história em primeira pessoa, colocando a própria Zeneida como narradora de sua trajetória. A estratégia aproxima a personagem do público e permite que diferentes momentos de sua vida sejam apresentados de maneira contínua.

A letra percorre temas ligados à pajelança, ancestralidade, encantaria e devoção amazônica, além de destacar referências à cultura e à religiosidade paraense. Entre os símbolos mencionados estão Maria Mineira Naê Agotime, o avô pajé e Nossa Senhora de Nazaré.

A composição também apresenta Zeneida como uma personagem consciente de suas raízes e responsável por preservar um conhecimento transmitido entre gerações. O trecho “plantei uma escola-floresta” representa a transformação desse saber em uma ação voltada para a preservação e para a transmissão da cultura.

Elementos característicos da cultura paraense, como o maracá e o carimbó, também aparecem na obra e reforçam a identidade amazônica do samba.

O ponto de maior destaque está no refrão principal, especialmente na repetição de “Xerequê, Xerequê”, expressão que funciona como uma espécie de assinatura sonora da composição. O trecho reforça a mensagem relacionada ao equilíbrio do mundo e ao legado deixado por Zeneida.

Agora, a Bole-Bole terá mais uma etapa pela frente na tentativa de levar um samba paraense ao desfile da Beija-Flor. A grande final acontece na próxima quinta-feira (10), quando será conhecido o samba-enredo oficial da escola para o Carnaval 2027.

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