Cultura

Exposição reúne cinco artistas paraenses e transforma Amazônia em território de criação

“Contemporâneas” apresenta fotografias e performances inspiradas em corpo, memória, ancestralidade e identidade amazônica

Por Elielson Almeida
04/09/2026 às 11:50 • 4 min

Exposição reúne obras de cinco artistas paraenses que transformam corpo, memória, identidade e território em imagens. (Foto: Divulgação)

Uma exposição fotográfica que reúne cinco mulheres artistas paraenses vai ocupar a Galeria Benedito Nunes, em Belém, a partir desta sexta-feira (04). “Contemporâneas: um retrato na arte amazônica” reúne trabalhos de Luísa Brasil, Alice Hermosa, Hgatadirua, Tarsila Rosa e Assucena Pereira, que transformaram suas próprias histórias, corpos e experiências na Amazônia em matéria-prima para a criação artística.

Idealizado pela fotógrafa e multiartista Luísa Brasil, o projeto propõe um olhar diferente sobre a produção artística amazônica. Em vez de serem apenas fotografadas, as artistas participaram da construção das próprias imagens, criando performances e escolhendo elementos relacionados às suas trajetórias pessoais.

O projeto levou as artistas para diferentes espaços, entre bairros, ilhas, praias, praças, ateliês e bosques, em uma espécie de expedição fotográfica por diferentes paisagens. Cada ensaio foi construído a partir de questões particulares, como identidade, ancestralidade, corpo, saúde feminina, racismo e a relação dos paraenses com o sol e o clima.

“A ideia por trás dessa exposição foi a de entender o que provoca essas artistas a criar, e o que faz com que suas criações venham para o mundo, para sensibilizar outras pessoas”, explica Luísa Brasil.

Artistas paraenses no centro da própria narrativa

Além de apresentar diferentes linguagens e trajetórias, “Contemporâneas” também discute quem produz as imagens e narrativas sobre a Amazônia. A exposição coloca mulheres que vivem e produzem na região no centro dessa representação.

A atriz e dramaturga Tarsila Rosa utiliza experiências pessoais como ponto de partida para sua produção artística e vê nesse processo uma forma de romper com a tradição de pessoas de fora da Amazônia falarem sobre o território.

“Durante muito tempo, artistas e pesquisadores de fora vieram até a Amazônia para nos estudar e falar por nós, nos colocando apenas como objetos de pesquisa. Quando eu assumo a cena, me coloco como exemplo e uso minha própria dor para criar”, afirma.

A artista Assucena Pereira utiliza a palhaçaria para abordar questões relacionadas à experiência de mulheres negras, incluindo racismo, sexualização e preterimento. Já Alice Hermosa desenvolve uma pesquisa relacionada ao sol e aos pigmentos naturais da terra, aproximando arte, território e espiritualidade.

Projeto também deu origem a documentário

O processo de criação da exposição também foi registrado em um documentário homônimo. A produção acompanha a expedição fotográfica e revela os bastidores das performances construídas pelas artistas.

O filme registra como memórias, dores, sonhos e ancestralidades foram transformados em imagens e gestos diante das câmeras. A produção será exibida durante a abertura da exposição.

A vernissage de “Contemporâneas: um retrato na arte amazônica” ocorre nesta sexta-feira (04), a partir das 19h, na Galeria Benedito Nunes, na Fundação Cultural do Pará (FCP), em Batista Campos, Belém.

SERVIÇO

O quê: Exposição “Contemporâneas: um retrato na arte amazônica”
Quando: 04 de setembro, a partir das 19h
Onde: Galeria Benedito Nunes, Fundação Cultural do Pará (FCP), Batista Campos, Belém
Programação: abertura da exposição e exibição do documentário “Contemporâneas”
Artistas: Luísa Brasil, Alice Hermosa, Hgatadirua, Tarsila Rosa e Assucena Pereira.

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