Cidades

Mais de 1.500 pessoas continuam desaparecidas após avalanche devastadora no Nepal

Equipes de resgate enfrentam lama e escombros para localizar os desaparecidos; centenas de estrangeiros estão entre as vítimas

Por Elielson Almeida
27/08/2026 às 07:44 • 4 min

Avalanche provocou enxurrada e destruiu vilarejos, estradas e pontes na fronteira com o Tibete. (Foto: PTI)

As equipes de resgate continuam nesta quinta-feira (27) as buscas por mais de 1.500 pessoas desaparecidas após uma avalanche de gelo e rochas provocar uma grande enxurrada na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O desastre atingiu áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi, no Nepal, além da região de Gyirong, no Tibete.

O número de mortos chegou a 273, sendo 270 no Nepal e três no Tibete. As equipes trabalham em áreas cobertas por lama e escombros deixados pela força da água. A destruição de estradas e outras estruturas tem dificultado o acesso aos locais atingidos e a localização das pessoas desaparecidas.

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No Nepal, 823 pessoas continuam desaparecidas, segundo as autoridades. Entre elas estão mais de 700 estrangeiros. Na região do Tibete, outras 558 pessoas são consideradas desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros, de acordo com a imprensa estatal chinesa.

Entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal estão 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses. O Departamento de Turismo do Nepal informou ainda que 517 estrangeiros estão entre os desaparecidos no país.

A presença de turistas e outros estrangeiros entre as pessoas procuradas mobilizou autoridades de diferentes países. Os Estados Unidos anunciaram US$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões, para auxiliar nas operações de emergência. O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que a prioridade é localizar e resgatar as pessoas desaparecidas.

Resgate enfrenta destruição

As buscas ocorrem em meio a um cenário de destruição. Imagens divulgadas após o desastre mostram casas destruídas, veículos arrastados pela água e uma ponte de metal levada pela correnteza do rio Bhote Koshi. Testemunhas relataram à agência Reuters que alguns vilarejos foram completamente atingidos pelas águas.

O distrito montanhoso de Rasuwa, no Nepal, foi uma das áreas mais afetadas. A região tem cerca de 50 mil habitantes e apresenta dificuldades de acesso para as equipes de emergência. Helicópteros de resgate não conseguiram pousar em algumas das áreas atingidas, segundo as informações divulgadas.

O Exército nepalês participa das operações e realizou sobrevoos na região afetada. Dezenas de pessoas foram resgatadas durante as ações. Moradores que vivem próximos aos rios também receberam orientações para deixar suas casas e procurar áreas mais altas.

Risco de nova inundação

Além das dificuldades provocadas pela destruição, as equipes de emergência precisam lidar com o risco de uma nova inundação. Um bloqueio formado por detritos permanece em uma área mais alta do rio que fica na fronteira entre Nepal e China.

Segundo Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), a existência desse bloqueio mantém o alerta para a possibilidade de uma nova inundação na região.

A tragédia ocorreu depois que uma avalanche de gelo e rochas atingiu um rio e desencadeou o fluxo de água, lama e destroços. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, e não por um terremoto.

Enquanto as autoridades continuam contabilizando vítimas e desaparecidos, as equipes de resgate seguem trabalhando para chegar às áreas isoladas e localizar pessoas que ainda não foram encontradas. As buscas devem continuar enquanto houver condições de acesso aos locais atingidos.

Com informações do G1*

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