Brasil

Mais da metade das horas de trabalho no Brasil pode ser automatizada, aponta estudo

Tecnologias disponíveis já poderiam automatizar 56% das horas trabalhadas no país, segundo levantamento da McKinsey

Por Elielson Almeida
15/08/2026 às 10:54 • 4 min

Estudo aponta que 56% do tempo de trabalho já poderia ser automatizado com tecnologias disponíveis. (Foto: reprodução)

Um estudo do McKinsey Global Institute aponta que 56% das horas atualmente trabalhadas no Brasil poderiam ser automatizadas com as tecnologias disponíveis. Segundo o levantamento, o avanço da automação tem potencial para movimentar até US$ 135 bilhões na economia brasileira até 2030.

A automação avança em diferentes ritmos pelo mundo. Coreia do Sul, Singapura, Alemanha e Japão aparecem entre os países com maior presença de robôs na indústria. Enquanto essas economias já utilizam máquinas em atividades como produção, logística e atendimento, o Brasil ainda enfrenta discussões sobre produtividade, custo da contratação e mudanças na jornada de trabalho.

No país, o debate ocorre ao mesmo tempo em que propostas como o fim da escala 6×1 estão em discussão. Especialistas apontam que o aumento do custo da hora trabalhada sem crescimento proporcional da produtividade pode estimular empresas a substituir determinadas atividades humanas por tecnologias.

Atividades repetitivas estão mais expostas

As funções consideradas mais vulneráveis à automação são aquelas que envolvem tarefas repetitivas e previsíveis. Entre os exemplos estão operação de caixas, telemarketing, conferência de estoques e atividades administrativas. Por outro lado, a transformação tecnológica também deve ampliar a demanda por profissionais responsáveis pelo desenvolvimento, operação e manutenção das novas ferramentas. Técnicos de manutenção, analistas de dados e especialistas em inteligência artificial estão entre as áreas que podem ganhar espaço.

Outro grupo apontado pelo levantamento é formado por profissionais da chamada economia do cuidado, como trabalhadores da saúde e da educação. São atividades que dependem de interação humana e tendem a ser menos substituídas por máquinas.

Amazon amplia automação nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, documentos internos da Amazon revelados pelo jornal The New York Times apontam que a empresa estabeleceu como meta automatizar até 75% de suas operações. Em galpões na Louisiana, cerca de mil robôs já teriam reduzido pela metade a necessidade de novas contratações.

Segundo um representante da empresa, o mesmo modelo ainda não foi implementado no Brasil. A companhia afirma que, no país, tem ampliado a utilização de tecnologias para facilitar o trabalho humano e reduzir atividades braçais. De acordo com o levantamento, as 56% de horas potencialmente automatizáveis colocam o Brasil em um patamar semelhante ao Chile e acima da Colômbia, enquanto Argentina e México apresentam índices superiores.

A pesquisa aponta que a automação pode representar, até 2030, a segunda maior oportunidade econômica da América Latina, atrás apenas do México.

O estudo também estima que 78% das habilidades demandadas no Brasil continuarão dependendo de trabalho humano. O percentual, porém, é menor do que o projetado para México, Chile e Colômbia.

Educação é apontada como desafio

Para especialistas ouvidos no levantamento, a preparação dos trabalhadores para as mudanças tecnológicas passa pela educação. A avaliação é de que o Brasil ainda enfrenta dificuldades relacionadas à formação básica, como leitura, interpretação de texto e conhecimentos matemáticos.

O avanço da automação também coloca desafios para empresas e para a regulamentação do mercado de trabalho. Para especialistas, as discussões sobre inteligência artificial e jornada de trabalho precisam acompanhar as transformações provocadas pela tecnologia.

A perspectiva apresentada pelo estudo é que a automação avance independentemente do ritmo das discussões regulatórias. O desafio para o Brasil será preparar trabalhadores e empresas para as mudanças provocadas pela adoção de novas tecnologias.

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