Eleições 2026

Líder nas pesquisas, Helder usa força eleitoral para disputar o segundo voto ao Senado

Conversas com prefeitos e lideranças buscam acomodar dobradinhas com Chicão ou Celso Sabino e impedir que a segunda escolha do eleitor governista migre para Éder Mauro ou Zequinha Marinho

Por Estado do Pará Online
12/08/2026 às 14:16 • 5 min
Helder Barbalho ao lado de Chicão e Celso Sabino em montagem sobre a disputa pelas duas vagas do Pará no Senado

Líder nas pesquisas, Helder Barbalho pode exercer papel decisivo na escolha do segundo senador pelo Pará.

A vantagem de Helder Barbalho (MDB) na corrida ao Senado começa a produzir um efeito que ultrapassa sua própria candidatura. Líder dos levantamentos mais recentes, o ex-governador tem condições de usar parte de seu capital político para tentar influenciar a disputa pela segunda vaga destinada ao Pará.

Informações que circulam nos bastidores indicam que Helder vem conversando com prefeitos e lideranças políticas paraenses sobre a composição das dobradinhas ao Senado. A sinalização seria de flexibilidade: aliados poderiam votar em Helder e Chicão (União Brasil) ou em Helder e Celso Sabino (PDT).

Como cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado em 2026, a estratégia permitiria acomodar interesses diferentes dentro da ampla base governista. Chicão é o candidato apoiado oficialmente pelo núcleo político do MDB, enquanto Celso mantém proximidade com setores governistas, apoia a candidatura de Hana Ghassan ao Governo do Pará e possui influência entre lideranças ligadas ao presidente Lula.

No vídeo postado nas redes sociais do ex-prefeito de Rio Maria, o Waltinho do Ouro, cujo nome verdadeiro é Walter José da Silva, Helder pede voto para Chicão, após saber que o político irá votar em Celso Sabino ao senado. Pesquisas indicam que o sul do Pará é predominantemente de oposição ao atual governo.

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Objetivo seria manter os dois votos dentro da base

A leitura feita nos bastidores é de que o principal objetivo seria evitar que o segundo voto dos eleitores de Helder migre para os candidatos da oposição, especialmente Éder Mauro (PL) e Zequinha Marinho (Podemos).

Éder concentra parte expressiva do eleitorado bolsonarista e aparece entre os principais concorrentes pela segunda vaga. Zequinha, por sua vez, busca a reeleição apoiado em sua presença no interior e em segmentos evangélicos.

Ao permitir diferentes dobradinhas dentro do campo governista, Helder reduziria as resistências entre prefeitos e lideranças que já assumiram compromissos com Celso Sabino, sem abandonar o esforço para fortalecer Chicão.

A movimentação também evitaria uma disputa frontal entre os dois candidatos que orbitam a base de Hana Ghassan. O problema é que Celso e Chicão concorrem pelo mesmo espaço e precisam convencer o eleitor de Helder a entregar justamente a eles sua segunda escolha.

Liderança oferece posição privilegiada

A condição de Helder é incomum. Em vez de concentrar toda a campanha em pedir votos para si, ele vem utilizando sua vantagem para recomendar o segundo voto, especialmente em favor de Chicão, que ainda enfrenta dificuldades para transformar estrutura política em intenção de voto.

Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 4 de agosto, Helder apareceu com 40%, seguido por Éder Mauro, com 16%; Celso Sabino, com 12%; Zequinha Marinho, com 11%; e Chicão, com 10%. O levantamento colocou Éder e Celso tecnicamente próximos na disputa pela segunda cadeira..

A pesquisa Simetria/EPOL, divulgada em junho e considerando os dois votos combinados, também mostrou Helder na liderança, com 49%. Éder Mauro registrou 28%, Celso Sabino 23%, Zequinha Marinho 21% e Chicão 12%.

Já o levantamento Doxa/TVC colocou Helder com 27,2%, enquanto Éder, Zequinha, Celso e Chicão apareceram próximos. As pesquisas possuem metodologias diferentes e não devem ser comparadas de maneira automática, mas apontam uma tendência comum: Helder ocupa a primeira posição, enquanto a segunda vaga permanece aberta.

Helder pode virar o fiel da balança

Na prática, Helder alcançou uma posição em que pode se dar ao luxo político de pedir votos para outro candidato, em vez de dedicar toda a energia à própria eleição. Seu desafio não está apenas em confirmar a vantagem, mas em transformar essa liderança em capacidade de transferência.

Para Chicão, essa ajuda pode ser decisiva. Apesar de contar com forte estrutura partidária e apoio de parte significativa da base governista, o presidente da Assembleia Legislativa ainda aparece abaixo dos principais adversários em alguns levantamentos.

Celso, por outro lado, possui desempenho mais competitivo, baixa rejeição e articulação própria. Aceitar dobradinhas entre Helder e Celso pode funcionar como uma forma de manter o ex-ministro próximo, impedir uma ruptura dentro da base e, ao mesmo tempo, bloquear o crescimento da oposição.

A estratégia, porém, carrega riscos. Ao liberar diferentes composições, Helder poderá preservar sua ampla aliança, mas também dificultar a consolidação de Chicão como candidato preferencial. Afinal, estrutura política não significa transferência automática de votos e o eleitor paraense ainda terá a palavra final sobre quem acompanhará Helder na corrida pelas duas vagas ao Senado.

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