Eleições 2026

Michelle Bolsonaro volta a demonstrar insatisfação com alianças do PL e cita novamente Ciro Gomes

Ex-primeira-dama afirma que oposição a eventual acordo político no Ceará é uma questão “visceral” e reforça críticas a decisões que, segundo ela, foram tomadas sem respeitar sua autonomia

Por Estado do Pará Online
12/08/2026 às 10:08 • 5 min

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a demonstrar insatisfação com decisões políticas tomadas dentro do PL e, novamente, colocou o nome de Ciro Gomes no centro da discussão. Durante um pronunciamento, Michelle afirmou que é contrária a um eventual acordo político envolvendo o ex-governador do Ceará e classificou sua posição como uma questão “visceral”, baseada, segundo ela, em coerência e bom senso.

Ao explicar sua resistência à aproximação, Michelle relacionou a articulação política no Ceará ao cenário envolvendo seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Hoje o nome do meu marido não está nas urnas por causa da articulação de Ciro Gomes”, afirmou.

A declaração ocorre semanas depois de o PL do Ceará oficializar apoio à candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual. A aliança foi apontada como um dos principais pontos de tensão entre Michelle e Flávio Bolsonaro durante o primeiro semestre. O acordo, porém, foi tratado pelo partido como uma articulação local, sem necessariamente representar uma aproximação nacional entre Ciro e o grupo político de Flávio.

Crise com Flávio expôs divergências dentro do grupo Bolsonaro

A nova manifestação de Michelle resgata uma crise que ganhou força em junho, quando ela publicou um vídeo nas redes sociais relatando ter se sentido desrespeitada durante as discussões sobre os rumos do PL no Ceará.

Na gravação, a ex-primeira-dama afirmou que havia se posicionado contra a aproximação com Ciro Gomes e que, depois de tornar sua opinião pública, recebeu uma ligação ríspida de Flávio Bolsonaro. Michelle chegou a dizer que havia sido “humilhada” e acusou integrantes da família de não respeitarem sua posição.

O episódio provocou um desgaste público entre Michelle e Flávio, então pré-candidato do PL à Presidência da República. A crise também evidenciou divergências dentro do grupo político de Jair Bolsonaro sobre as estratégias eleitorais para 2026.

A situação, no entanto, sofreu uma reviravolta em julho. Flávio publicou um vídeo pedindo desculpas à madrasta, e Michelle respondeu afirmando que aceitava o pedido. Os dois passaram a sinalizar uma reconciliação e, posteriormente, voltaram a aparecer juntos em atividades relacionadas à campanha.

Mesmo após a reaproximação, as divergências sobre determinadas alianças políticas permanecem evidentes. Em agosto, Michelle voltou a falar sobre sua autonomia e sobre decisões partidárias com as quais não concorda. A ex-primeira-dama afirmou que não guarda mágoas pessoais, mas que considera necessário manter coerência em suas posições políticas.

Michelle também fala sobre o PL Mulher

Durante o pronunciamento, Michelle também voltou a mencionar sua atuação no PL Mulher. À frente do segmento feminino do partido, ela afirmou ter acompanhado a formação política e as pré-candidaturas de mulheres em diferentes regiões do país.

Segundo Michelle, embora não esteja mais no comando do PL Mulher nem tenha a definição final sobre as candidaturas, o trabalho desenvolvido durante sua gestão continua. Ela também afirmou que seguirá apoiando as mulheres que participam do projeto político do partido.

A ex-primeira-dama deixou, porém, uma crítica sobre a forma como sua atuação foi conduzida, afirmando que faltou respeito à sua autonomia durante o processo.

De ex-primeira-dama a candidata ao Senado

O posicionamento ocorre em um momento em que Michelle deixou de ser apenas uma figura de apoio ao bolsonarismo e passou a ocupar um papel eleitoral próprio. Ela é pré-candidata ao Senado pelo PL no Distrito Federal nas eleições de 2026.

A movimentação coloca Michelle no centro das articulações eleitorais do partido e aumenta o peso de suas manifestações sobre alianças estaduais e estratégias nacionais.

Apesar do desgaste anterior com Flávio, Michelle já voltou a declarar apoio à candidatura presidencial do enteado. Em julho, ela participou da convenção nacional do PL por meio de um vídeo, no qual pediu mobilização dos apoiadores e destacou a importância das mulheres na campanha.

A nova manifestação sobre Ciro Gomes, portanto, ocorre após uma tentativa pública de reconciliação dentro da família Bolsonaro, mas mostra que o alinhamento eleitoral não significa necessariamente concordância sobre todas as escolhas políticas. Para Michelle, a oposição à aproximação com Ciro continua sendo apresentada como uma questão de princípio e coerência, e não como resultado de um conflito pessoal.

Com o calendário eleitoral de 2026 avançando, as declarações recolocam as divergências internas do bolsonarismo no debate e mostram que, mesmo após a reconciliação entre Michelle e Flávio, determinadas escolhas regionais continuam sendo capazes de provocar tensão dentro do grupo.

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