Internacional

OMS defende calendário de vacinação infantil após Trump reduzir recomendações nos EUA

Organização Mundial da Saúde afirma que os calendários de imunização são definidos com base em mais de 60 anos de pesquisas científicas

Por Felipe Borges
11/08/2026 às 11:45 • 3 min

Foto: Reprodução/Agência Brasil/Fabio Rodrigues Pozzebom

A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu, nesta terça-feira (11), o uso de evidências científicas para definir os calendários de vacinação infantil. A manifestação ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar um decreto para reduzir o número de vacinas recomendadas para crianças no país.

A medida foi assinada na segunda-feira (10) e estabelece como objetivo reduzir o calendário de vacinação infantil dos Estados Unidos para 11 vacinas. Segundo Trump, a mudança proporcionaria às crianças norte-americanas uma proteção considerada por ele como “padrão-ouro” e aproximaria o país de outras nações desenvolvidas que adotam calendários com menos vacinas.

Especialistas, porém, apontam que a comparação entre países precisa considerar as diferenças nos riscos de doenças e nos sistemas de saúde de cada nação.

OMS cita décadas de pesquisas

O porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, afirmou, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, que as recomendações internacionais de vacinação são resultado de mais de 60 anos de pesquisas conduzidas pela própria organização, por autoridades nacionais e por grupos independentes de especialistas.

Segundo Jašarević, a definição do momento adequado para aplicação de cada vacina considera fatores como os períodos em que as pessoas estão mais vulneráveis a determinadas doenças e o desenvolvimento do sistema imunológico.

Ele também explicou que os países costumam contar com grupos técnicos consultivos nacionais de imunização, formados por especialistas de diferentes áreas. Esses grupos elaboram recomendações independentes e baseadas em evidências para orientar governos e gestores dos programas de vacinação.

As orientações também consideram as recomendações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage), da OMS, na elaboração dos calendários nacionais.

Mudanças geram críticas

A decisão de Donald Trump provocou críticas de associações médicas, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas. Os grupos afirmam que não existem novas evidências científicas que justifiquem as alterações e defendem que o calendário atualmente adotado nos Estados Unidos é resultado de décadas de estudos e das necessidades específicas da população norte-americana.

Médicos também alertaram que a redução das vacinas recomendadas pode deixar mais crianças vulneráveis a doenças que podem ser prevenidas por imunização. Outra preocupação é a possibilidade de gerar dúvidas entre os pais sobre o momento adequado para vacinar os filhos.

A medida também prevê a separação da vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola em três aplicações individuais.
A fabricante de vacinas MSD afirmou que não existem evidências científicas publicadas demonstrando benefícios na divisão da vacina. A empresa também alertou que a necessidade de consultas separadas pode aumentar o risco de atrasos ou de doses não aplicadas.

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