Brasil

Polícia registrou mais de 782 mil atendimentos especializados a mulheres em 2025

Levantamento nacional reúne dados de 530 unidades e aponta aumento nos registros de perseguição e violência psicológica

Por Estado do Pará Online
09/08/2026 às 13:56 • 3 min

Foto: Divulgação / Polícia Civil

As unidades especializadas da Polícia Civil no atendimento a mulheres registraram 782.474 atendimentos em todo o país durante 2025. O levantamento inclui casos como ameaça, lesão corporal, injúria, importunação sexual, estupro e feminicídio, entre outras ocorrências.

No total, 329.451 mulheres foram atendidas pelas unidades especializadas. O número de atendimentos é superior ao de vítimas porque uma mesma mulher pode procurar os serviços mais de uma vez.

Os dados fazem parte do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, divulgado na sexta-feira (7) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O estudo foi elaborado no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha e considerou informações de 530 das 585 unidades especializadas existentes no país.

A região Sudeste concentrou 125.769 vítimas, o equivalente a 47,8% do total registrado. Na sequência aparecem Nordeste, com 53.067 vítimas (20,2%), Centro-Oeste, com 43.662 (16,6%), Sul, com 21.087 (8%), e Norte, com 19.712 (7,5%). Entre os estados, São Paulo apresentou o maior número, com 84.103 mulheres atendidas.

Tipos de ocorrência

A ameaça foi o tipo de ocorrência mais registrado em 2025, com 148.544 casos. Depois aparecem lesão corporal, com 99.473 registros, e injúria, com 88.739. Em comparação com o levantamento anterior, referente a 2023, os maiores crescimentos foram registrados nos casos de violência psicológica, que chegaram a 23.911 ocorrências, e perseguição, com 52.855 registros. As altas foram de 49,7% e 44,3%, respectivamente.

As unidades especializadas também registraram 302.626 pedidos de medidas protetivas de urgência em 2025. Desse total, 118.672 foram concedidas, sendo que 74,2% correspondem à maioria das solicitações analisadas. O diagnóstico aponta ainda 38.214 casos de descumprimento das medidas por parte dos agressores.

As primeiras unidades especializadas para atendimento às mulheres começaram a funcionar em 1985, com a criação da primeira Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres (Deam), em São Paulo. Atualmente, o país conta com 585 unidades, que reúnem cerca de 6.200 profissionais, entre delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais.

Desafios

Apesar da expansão da rede, o levantamento aponta que 80% das unidades especializadas ainda não funcionam 24 horas. O diagnóstico também identificou dificuldades relacionadas à estrutura e aos recursos disponíveis para o atendimento e investigação dos casos.

A insuficiência de recursos para investigação foi apontada por 57% das unidades consultadas. A falta de viaturas apareceu em 46% dos registros, enquanto 40% das unidades indicaram carência de materiais de menor potencial ofensivo.

Com informações da Agência Brasil.

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