Cidades

Polícia cumpre mandados no Pará em operação contra rede que induzia jovens a suicídio na internet

Investigação começou após a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão ao vivo e se estendeu a cinco estados.

Por Lucas Neves
04/08/2026 às 21:23 • 3 min
operação lívia PF

Reprodução/PF

Uma operação coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) investiga uma organização criminosa suspeita de recrutar crianças e adolescentes em comunidades virtuais para submetê-los a desafios de automutilação, crueldade contra animais e incentivo ao suicídio. A ação, batizada de Operação Lívia, foi apresentada nesta terça-feira (4) e mobilizou equipes em cinco estados, entre eles o Pará.

As investigações tiveram início após a morte de uma adolescente de 13 anos, que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo realizada em um grupo da plataforma Discord, no último dia 22 de julho. Segundo a polícia, antes do suicídio, a jovem teria sido pressionada por integrantes da comunidade virtual a torturar um gato e a cumprir outros desafios impostos pelo grupo.

Durante a ofensiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Ao todo, foram apreendidos cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e um jovem de 18 anos. De acordo com a investigação, o suposto líder da organização é um adolescente de 14 anos localizado no Rio de Janeiro. Outro investigado é um estudante seminarista de Pernambuco.

As apurações também revelaram que os suspeitos criaram uma chave Pix em nome da vítima, sem autorização da família, e enviavam dinheiro para que ela comprasse objetos usados em práticas de automutilação.

Durante a apresentação da operação, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, fez um apelo para que pais e responsáveis acompanhem mais de perto a atividade de crianças e adolescentes na internet, destacando a importância da prevenção diante de crimes praticados em ambientes virtuais.

O Ministério da Justiça também informou que pretende solicitar a apuração da atuação das plataformas Discord e Telegram. Segundo a pasta, há indícios de descumprimento das normas previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), especialmente por supostas falhas na remoção de conteúdos, comunicação às autoridades e verificação da idade dos usuários.

Além do caso que deu origem à investigação, a polícia informou que conseguiu identificar outra possível vítima do grupo e impedir uma nova tentativa de suicídio. As equipes agora trabalham para localizar outras crianças e adolescentes que possam ter sido alvos da organização criminosa.

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