Brasil

SUS pode oferecer PrEP injetável contra o HIV ainda este ano

Ministério da Saúde negocia custo com fabricante

Por Sarah Carvalho
30/07/2026 às 17:30 • 3 min

Fernando Frazão/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá oferecer ainda este ano uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenção do HIV. O Ministério da Saúde deve encaminhar, na próxima semana, à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido de inclusão do cabotegravir, medicamento injetável que proporciona proteção prolongada contra o vírus.

Aplicado a cada dois meses, o cabotegravir impede a replicação do HIV e surge como uma alternativa à PrEP oral, atualmente disponibilizada pelo SUS por meio de comprimidos de uso diário.

A incorporação da nova tecnologia dependerá da análise da Conitec, que avalia critérios como eficácia, segurança e custo-benefício. Embora o colegiado emita uma recomendação, a decisão final sobre a inclusão do medicamento cabe ao Ministério da Saúde.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK, fabricante do cabotegravir, o valor de aquisição e a quantidade de doses que serão compradas. De acordo com ele, a empresa apresentou uma proposta considerada compatível com a realidade do sistema público.

Lenacapavir ficou de fora

Durante coletiva de imprensa na 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, Padilha afirmou que outro medicamento de longa duração, o lenacapavir, não será incorporado neste momento devido ao alto custo.

Segundo o ministro, apesar de o Brasil ter se disposto a pagar um valor superior ao praticado em países como Indonésia e Tailândia, a farmacêutica responsável não apresentou uma proposta considerada viável para o SUS.

O lenacapavir oferece proteção por até seis meses e é apontado por especialistas como uma tecnologia importante no combate à epidemia de HIV. No entanto, o Brasil ficou fora do acordo de licenciamento voluntário firmado pela fabricante Gilead, que autorizou a produção de versões genéricas do medicamento para distribuição em 120 países.

Em nota, a empresa informou que busca alternativas para ampliar o acesso ao medicamento no Brasil e destacou a assinatura de um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para avaliar possibilidades de transferência de tecnologia.

PrEP oral continuará disponível

Atualmente, o SUS já disponibiliza gratuitamente a PrEP oral. Mais de 350 mil pessoas já utilizaram o tratamento preventivo, cuja eficácia é comprovada quando administrado corretamente.

A principal vantagem da versão injetável é a maior facilidade de adesão. Enquanto os comprimidos precisam ser ingeridos diariamente, o cabotegravir é aplicado apenas uma vez a cada dois meses.

Um estudo conduzido pela Fiocruz com cerca de 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras mostrou que 83% dos voluntários preferiram a aplicação injetável. Além disso, 94% compareceram às unidades de saúde dentro do prazo previsto para receber as doses, e nenhum dos participantes foi infectado pelo HIV durante o acompanhamento.

Outro estudo, divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, apontou taxa anual de infecção de apenas 0,1% entre pessoas que utilizaram o medicamento, reforçando sua eficácia como estratégia de prevenção.

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