Após a vitória sobre o Guarani recolocar o Paysandu nas primeiras posições da tabela da Série C, o técnico Júnior Rocha avaliou, em entrevista exclusiva ao EPOL, os motivos da queda de rendimento da equipe bicolor nas últimas rodadas da competição.
De acordo com o treinador, a oscilação foi resultado do desgaste acumulado durante a sequência decisiva do primeiro semestre e de um “relaxamento” natural após a conquista dos três títulos da temporada. O comandante também revelou mudanças internas que, segundo ele, contribuíram para que o time retomasse o nível de competitividade.
Calendário intenso no primeiro semestre
Antes de atribuir a queda de rendimento ao “relaxamento” após as conquistas, Júnior Rocha lembrou que o Papão viveu um primeiro semestre de calendário intenso, com partidas decisivas em diferentes competições. Segundo o treinador, a equipe precisou manter um nível elevado de concentração durante meses.
“A gente vinha de um ciclo vencedor no primeiro semestre. Desde o jogo contra o Santa Rosa, fora de casa, pelo Campeonato Paraense, nós não podíamos mais perder, porque ficaríamos fora da final. Ao mesmo tempo, disputávamos a Copa do Brasil e a Copa Norte. Na Copa do Brasil era mata-mata, e na Copa Norte tivemos altos e baixos, inclusive aqueles fatídicos 7 a 0 contra o Nacional. Todos os jogos se tornaram muito decisivos, e a gente vinha com o nível de concentração, comprometimento e competitividade lá em cima. O sarrafo estava muito alto”, avaliou.
Ele também relembrou a reformulação do elenco no início da temporada e destacou que o grupo conseguiu encerrar o primeiro semestre com três títulos, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo do processo.
“Depois da reformulação quase completa do elenco, a gente não podia mais oscilar como aconteceu no início da temporada. Encerramos esse primeiro ciclo, dos primeiros seis meses de trabalho, com três títulos, um grupo muito enxuto e uma gestão minuciosa. Às vezes acertamos, às vezes erramos, faz parte do processo de reconstrução. Era um grupo jovem, com uma boa mescla”, disse.
‘Relaxamento’ pós títulos
Tricampeão em 2026, o comandante liderou o Paysandu nas campanhas que renderam as taças do Campeonato Paraense, Copa Norte e Copa Verde. Para ele, o encerramento desse período vitorioso trouxe consigo uma redução natural da tensão vivida pelo grupo ao longo dos primeiros meses do ano.
“Depois de conquistar esses três títulos, podem acontecer várias coisas. Abaixa um pouco o nível de estresse e pode haver um relaxamento natural. Mas, em todos os jogos em que oscilamos na Série C, em nenhum deles deixamos de criar ou de ter chances para vencer. Eu estudo a nossa equipe depois das partidas, analiso o aspecto tático, técnico e físico. Tivemos inúmeras oportunidades de marcar, mas os adversários foram mais efetivos”, pontuou.
Problemas internos e mudanças no elenco
Ainda assim, o treinador reconheceu que o clube enfrentou dificuldades nos bastidores durante os primeiros meses da temporada. Segundo ele, alguns jogadores deixaram o elenco por questões disciplinares, enquanto outros não conseguiram se adaptar ao ambiente ou ao modelo de trabalho desenvolvido pela comissão técnica.
“Não queremos procurar culpados. Esse grupo é vencedor. Tivemos problemas internos no primeiro semestre, que conseguimos corrigir no fim desse ciclo. Alguns atletas saíram por questões disciplinares, outros porque não conseguiram apresentar a melhor versão aqui. Às vezes o jogador não se adapta ao ambiente, ao clube, à forma de jogar ou ao treinador. Esses ciclos são normais no futebol”, explicou.
Mais concorrência por posição
Na avaliação de Júnior Rocha, as mudanças no elenco e a chegada dos reforços elevam novamente o nível de competitividade dentro do grupo, cenário que deve ser ampliado com novas contratações.
“Com a chegada dos reforços, voltaremos a ser uma equipe mais competitiva no dia a dia. O nível de atenção e concentração aumenta porque existe concorrência. O atleta precisa dessa competitividade interna”, declarou.
O treinador citou os atletas Pedro Carrerette, Pablo e Radsley como exemplos desse processo e afirmou que o elenco ainda deve receber novos jogadores nesta janela de transferências.
“Já chegaram três reforços e ainda vão chegar mais, porque precisamos aumentar a competitividade interna e agregar qualidade técnica, tática, física e cognitiva. Tenho certeza de que isso será muito importante para a sequência da competição”, finalizou.
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