Hana Ghassan sanciona lei que restringe uso de banheiros em templos ao sexo biológico

Hana Ghassan sanciona lei que restringe uso de banheiros em templos ao sexo biológico

Medida foi sancionada mesmo após recomendação do Ministério Público Federal para veto integral

Lei foi sancionada apesar de recomendação do MPF pelo veto integral e gerou críticas de parlamentares e entidades ligadas aos direitos da população LGBTQIA+. (Foto: Agência Pará)

A governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), sancionou a Lei nº 11.660, de 13 de julho de 2026, que garante a templos religiosos, escolas confessionais e instituições mantidas por entidades religiosas o direito de definir o uso dos banheiros de acordo com a definição biológica de sexo, e não pela identidade de gênero. A sanção foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (13).

A norma estabelece que templos de qualquer culto poderão determinar o uso dos banheiros com base na denominação masculina e feminina. A medida também se aplica a escolas confessionais, instituições religiosas e aos eventos e atividades promovidos por essas entidades, ainda que realizados fora de suas dependências.

Nova legislação autoriza templos e instituições religiosas a definirem o uso de banheiros com base no sexo biológico. (Foto: reprodução)

Antes da sanção, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou o veto integral ao projeto, sob o entendimento de que a proposta poderia afrontar direitos fundamentais e ampliar situações de discriminação. Apesar da manifestação do órgão, o texto foi sancionado sem vetos pela chefe do Executivo estadual.

A decisão foi criticada pela deputada estadual Lívia Duarte (PSOL). Em vídeo publicado nas redes sociais, a parlamentar classificou a medida como “uma das maiores atrocidades jurídicas desse Estado” e afirmou que a nova lei retira direitos da população trans e da comunidade LGBTQIA+. “A governadora quer obrigar um homem trans a ocupar o banheiro de uma mulher cis. Quer obrigar uma mulher trans a ocupar o banheiro de um homem cis. Para nós, isso é um absurdo”, declarou.

Deputada classificou a sanção como uma “atrocidade jurídica” e afirmou que vai adotar medidas para contestar a nova lei. (Foto: reprodução)

Lívia Duarte afirmou ainda que pretende adotar medidas para contestar a nova legislação. “Vamos entrar com as medidas necessárias para dizer que o direito da individualidade, o direito social das pessoas precisa ser resguardado”, disse a deputada.

O Portal Estado do Pará Online solicitou posicionamento ao Governo do Estado sobre os motivos que embasaram a sanção da lei, apesar da recomendação de veto apresentada pelo Ministério Público Federal. Até a publicação desta reportagem, não houve manifestação por parte do Governo do Estado.

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