A vitória por 3 a 2 sobre o Guarani, no último domingo, na Curuzu, garantiu mais três pontos ao Paysandu, mas também deixou uma mensagem importante para a sequência da Série C. Em apenas 90 minutos, o time de Júnior Rocha apresentou duas versões completamente diferentes: uma que sofreu com erros defensivos e pouca intensidade, e outra que dominou o adversário, criou inúmeras oportunidades e buscou a virada até o último lance.
Os primeiros 45 minutos ficaram longe do que a torcida esperava. O Bugre aproveitou as falhas do Lobo para construir uma vantagem de dois gols, enquanto o Papão encontrava dificuldades para pressionar a saída de bola, recuperar a posse no campo ofensivo e transformar certas posses em chances reais de gol. O time era lento nas transições e pouco agressivo nas disputas, principalmente pelas segundas bolas.
A resposta veio logo após o intervalo. Com mudanças promovidas por Júnior Rocha e uma postura muito mais intensa, o Paysandu passou a ocupar o campo de ataque praticamente durante todo o segundo tempo. A equipe acelerou a troca de passes, pressionou o adversário desde a saída de bola e aumentou a presença dentro da área, empurrando o Guarani para o campo de defesa.
A mudança de comportamento ficou evidente também nos números. O Paysandu terminou a partida com 62% de posse de bola e finalizou 26 vezes, mais que o dobro das 10 tentativas do Guarani. Foram ainda 10 chutes na direção do gol e 16 finalizações de dentro da área, reflexo de uma equipe que passou a encontrar espaços para infiltrar e criar oportunidades claras durante toda a etapa final.
As alterações feitas pelo treinador também tiveram peso na reação. Luciano Taboca, que entrou no intervalo, marcou um dos gols da virada. Baianinho elevou o nível da construção ofensiva e foi um dos destaques da equipe, enquanto Lucas Cardoso ajudou a dar mais intensidade ao lado esquerdo. As mudanças deram novo ritmo ao Paysandu e ajudaram a transformar um cenário que parecia bastante complicado.
Outro aspecto que chamou atenção foi a insistência da equipe. Mesmo depois de buscar o empate, o Paysandu não diminuiu o ritmo e seguiu pressionando até encontrar o gol da vitória aos 45 minutos do segundo tempo, com Bruno Bispo. A postura ofensiva durante praticamente toda a etapa final foi determinante para que o resultado fosse construído.
Apesar do resultado positivo, a partida também deixou um alerta. Os dois gols sofridos ainda no primeiro tempo evidenciaram problemas de concentração e organização defensiva que quase custaram pontos dentro da Curuzu. Ao mesmo tempo, o desempenho da etapa final mostrou que, quando consegue impor intensidade, pressionar a saída de bola e acelerar a circulação no ataque, o Paysandu se torna uma equipe capaz de criar muitas oportunidades e controlar o adversário.
Mais do que a virada, o confronto contra o Guarani pode servir como uma referência para o restante da Série C. Se o primeiro tempo mostrou aspectos que precisam ser corrigidos com urgência, o segundo indicou um modelo de atuação capaz de tornar o Paysandu mais competitivo. O desafio de Júnior Rocha passa a ser fazer com que esse futebol apareça desde o apito inicial, e não apenas depois que o time se vê obrigado a correr atrás do prejuízo, como também aconteceu diante do Botafogo-PB, ainda na quinta rodada.
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