Política

Governo Lula duplicou repasses federais para a rede Globo, em comparação com Bolsonaro

Por Estado do Pará Online
06/07/2026 às 13:37 • 6 min

Lula repassa metade de toda a verba publicitária para a rede Globo e o dobro do que o governo Bolsonaro repassou. Imagem: Divulgação

A matéria Verba publicitária oficial: dinheiro público, critérios nebulosos e o poder invisível das agências gerou uma discussão sobre transparência e ganha ainda mais relevância quando se observa a concentração dos investimentos em grandes grupos de comunicação.

Levantamentos baseados em dados oficiais da Secretaria de Comunicação Social (Secom) mostram que o Grupo Globo permanece como o maior destinatário da publicidade institucional do Governo Lula.

Segundo levantamento publicado pelo Poder360, entre 1º de janeiro de 2023 e 15 de junho de 2026, o Grupo Globo recebeu aproximadamente R$ 267 milhões em publicidade contratada diretamente pela Secom da Presidência da República. O valor corresponde a 25,6% de todos os recursos destinados pela administração do Palácio do Planalto para campanhas publicitárias no período. O estudo considera anúncios em televisão, internet, streaming, jornais e revistas, mas não inclui despesas de empresas estatais, sociedades de economia mista nem campanhas contratadas diretamente por outros ministérios.

Em outro recorte, considerando apenas a publicidade veiculada em televisão pela administração direta do Governo Federal, o Grupo Globo concentrou cerca de 49,4% de toda a verba destinada às emissoras de TV desde 2023, permanecendo muito à frente dos demais grupos de comunicação.

Já um levantamento divulgado em 2024 mostrou que, apenas entre 2023 e outubro de 2024, a Rede Globo e suas afiliadas receberam cerca de R$ 177,2 milhões em contratos de publicidade da Secom, valor superior ao total destinado à emissora durante todo o período de 2019 a 2022.

A Secom sustenta que a distribuição das campanhas segue critérios técnicos, definidos em planos de mídia elaborados pelas agências contratadas, levando em consideração fatores como audiência, alcance, perfil do público, cobertura regional, custo-benefício e objetivos específicos de cada campanha. A pasta afirma que não há distribuição baseada em critérios político-partidários e que os investimentos buscam maximizar a efetividade da comunicação pública.

O ponto central do debate, entretanto, não é apenas quem recebeu mais recursos, mas como essas escolhas foram feitas. A divulgação dos pagamentos permite conhecer os valores destinados a cada grupo de comunicação, porém os estudos técnicos que fundamentam a seleção dos veículos – incluindo comparações de audiência, métricas utilizadas, pesos atribuídos a cada critério e justificativas para a exclusão de outros concorrentes – nem sempre são disponibilizados de forma suficientemente detalhada para permitir uma auditoria independente.

É justamente essa diferença entre transparência financeira e transparência decisória que alimenta as críticas de especialistas, veículos regionais e entidades ligadas ao setor de comunicação.

Comparação entre Lula e Bolsonaro

1. Publicidade da Secom da Presidência (Palácio do Planalto)

Entre 1º de janeiro de 2023 e 15 de junho de 2026, o Grupo Globo recebeu R$ 267 milhões em publicidade da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. Esse montante corresponde a 25,6% de toda a publicidade contratada diretamente pelo Palácio do Planalto no período. Esse levantamento não inclui publicidade de ministérios, empresas estatais ou sociedades de economia mista, como a Petrobras.

2. Apenas televisão (Secom + ministérios da administração direta)

Considerando somente os investimentos em emissoras de televisão da administração direta do Governo Federal:

  • Governo Bolsonaro (2022):
    • Globo e afiliadas: R$ 89 milhões
    • Participação na verba de TV: 28%
  • Governo Lula (2023):
    • Globo e afiliadas: R$ 142 milhões
    • Participação na verba de TV: 56%

Ou seja:

  • aumento de aproximadamente 60% no valor recebido pela Globo em relação ao último ano do governo Bolsonaro;
  • a participação da Globo na verba destinada à televisão dobrou, passando de 28% para 56%.

3. Acumulado do terceiro governo Lula (administração direta)

Outro levantamento aponta que, considerando a publicidade da administração direta (Secom, ministérios e alguns órgãos do Executivo), o Grupo Globo recebeu R$ 462 milhões desde 2023, concentrando aproximadamente 49% da publicidade destinada às emissoras de televisão nesse período.

Gastos totais do governo Lula com publicidade da Secom

Segundo dados da Secom até 15 de junho de 2026:

  • 2023: R$ 175,9 milhões
  • 2024: R$ 234,9 milhões
  • 2025: R$ 365,7 milhões
  • 2026 (até 15/06): R$ 178 milhões

Total: cerca de R$ 954,5 milhões em aproximadamente três anos e meio apenas na conta do Palácio do Planalto.

O que esses números mostram

Os dados oficiais indicam que:

  • o Grupo Globo voltou a ocupar a posição de principal destinatário da publicidade institucional federal;
  • houve aumento do volume de recursos destinados ao grupo em comparação com o último ano do governo Bolsonaro, especialmente na televisão;
  • a Globo concentra aproximadamente um quarto da publicidade administrada diretamente pela Secom da Presidência e cerca de metade da publicidade televisiva da administração direta, conforme o recorte utilizado.

Ao interpretar esses números, é importante considerar que a Secom afirma que a distribuição segue critérios técnicos – como audiência, alcance e perfil do público – e que diferentes levantamentos usam bases distintas (Secom apenas, administração direta, ou incluindo outros órgãos). Comparações válidas exigem que os recortes sejam equivalentes.

Quem mais recebeu verba publicitária no governo Lula

Considerando apenas publicidade em televisão da administração federal direta — Secom, ministérios e órgãos do Executivo, sem incluir estatais como Petrobras, Caixa e Banco do Brasil — os sete maiores grupos de TV receberam R$ 984,8 milhões entre 2023 e fevereiro de 2026.

Grupo de TVValor recebido
GloboR$ 517,6 milhões
RecordR$ 228,9 milhões
SBTR$ 143,1 milhões
BandR$ 69,9 milhões
RedeTV!R$ 16,9 milhões
TV CulturaR$ 5,3 milhões
TV GazetaR$ 1,5 milhão

A Globo ficou com pouco mais da metade dos recursos destinados aos sete grupos analisados. Sozinha, recebeu mais do que SBT, Band, RedeTV!, Cultura e Gazeta somadas.

Comparação com Bolsonaro

No recorte de TV da administração direta, a Globo recebeu R$ 461,5 milhões nos três primeiros anos do governo Lula, contra R$ 228,5 milhões nos três primeiros anos do governo Bolsonaro, em valores corrigidos pela inflação. Isso representa uma alta de 102%.

Em outro recorte, comparando 2022, último ano de Bolsonaro, com 2023, primeiro ano de Lula, os pagamentos à Globo e afiliadas passaram de R$ 89 milhões para R$ 142 milhões, avanço de 60%. A fatia da Globo na verba de TV dobrou de 28% para 56%.

Onde entra a internet

A TV ainda lidera, mas a internet avançou. Em 2024, a administração federal direta gastou R$ 770 milhões com publicidade estatal; 45,7% foram para televisão. A internet ficou em segundo lugar e subiu de 18,5% em 2023 para 21% em 2024. Em 2025, com dados ainda parciais, chegou a 35,2%.

Google e Meta superaram, pela primeira vez em 2025, os valores pagos a SBT e Band em propaganda do governo Lula.

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