Meio Ambiente

Conhecimento indígena e ciência revelam mais de 14 mil animais em terra indígena entre Pará e Mato Grosso

Por Sarah Carvalho
17/06/2026 às 11:20 • 3 min

O conhecimento tradicional do povo Panará, aliado à pesquisa científica e ao uso de tecnologias de monitoramento, resultou no primeiro inventário da fauna e da flora da Terra Indígena Panará, localizada entre os estados do Pará e Mato Grosso. O levantamento identificou 14.823 animais pertencentes a 602 espécies e reforça a importância dos territórios indígenas para a conservação da Amazônia.

Os resultados da pesquisa serão apresentados entre os dias 18 e 20 de junho, durante o Seminário Pesquisa Intercultural como Ferramenta de Proteção e Conservação dos Territórios Indígenas, realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém.

Entre as espécies registradas estão 27 ameaçadas de extinção, como o macaco zogue-zogue (Plecturocebus vieirai), e outras classificadas como vulneráveis, a exemplo do tatu-canastra (Priodontes maximus). O inventário também identificou animais até então desconhecidos pelos próprios Panará, como a maria-leque (Onychorhynchus coronatus) e a perereca-de-vidro (Hyalinobatrachium cappellei).

As pesquisas também confirmaram a presença de espécies consideradas fundamentais para o equilíbrio ecológico da floresta, como onças e porcos-do-mato, reforçando a relevância da Terra Indígena Panará para a preservação da biodiversidade amazônica.

O projeto foi desenvolvido pela Conservação Internacional (CI-Brasil), Associação Indígena Iakiô, Rede Xingu+, Instituto Socioambiental (ISA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Segundo a diretora do Programa Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da CI-Brasil, Renata Pinheiro, o conhecimento tradicional dos Panará foi decisivo para ampliar a compreensão sobre a biodiversidade da região e fortalecer estratégias de conservação.

“O conhecimento dos Panará sobre a floresta foi fundamental para ampliar nossa compreensão sobre a biodiversidade da região e fortalecer estratégias de conservação”, afirmou.

Evento discutirá modelo que une saberes tradicionais e ciência

Além de apresentar os resultados do inventário, o seminário reunirá pesquisadores, lideranças indígenas e especialistas para debater como o modelo de pesquisa intercultural pode contribuir para a proteção de outros territórios indígenas e áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade no Brasil.

O evento conta com apoio da HP Inc., do Programa de Extensão Laboratório Aberto de Morfologia e do Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Oriental, ambos da UFPA e fomentados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Serviço

Seminário Pesquisa Intercultural como Ferramenta de Proteção e Conservação dos Territórios Indígenas

  • Data: 18 a 20 de junho
  • Local: Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém
  • Entrada: Gratuita
  • Inscrições: Disponíveis pela plataforma Sympla
  • Transmissão: Ao vivo pelo canal da Conservação Internacional no YouTube.

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