FIEPA alerta para possíveis impactos de restrições da União Europeia sobre carne brasileira - Estado do Pará Online

FIEPA alerta para possíveis impactos de restrições da União Europeia sobre carne brasileira

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) afirmou acompanhar com atenção as novas exigências relacionadas ao controle do uso de determinados antimicrobianos na produção animal

Arquivo/Agência Brasil/ASCOM ADEPARÁ

A decisão da União Europeia de endurecer as regras para a importação de carnes e outros produtos de origem animal acendeu um sinal de alerta no setor produtivo brasileiro. Em nota divulgada nesta semana, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) afirmou acompanhar com atenção as novas exigências relacionadas ao controle do uso de determinados antimicrobianos na produção animal.

Apesar da preocupação, a entidade avalia que os impactos diretos sobre a cadeia da carne bovina paraense tendem a ser limitados. Dados do Centro Internacional de Negócios da FIEPA mostram que, entre janeiro e abril de 2026, o Pará exportou apenas US$ 28,1 mil em carne bovina para o bloco europeu, o equivalente a cerca de 0,01% das exportações brasileiras destinadas à União Europeia.

Efeitos indiretos preocupam setor

Embora a participação paraense no mercado europeu seja considerada pequena, a federação destaca que eventuais restrições prolongadas podem gerar reflexos em toda a cadeia produtiva nacional.

Segundo a FIEPA, parte da carne que deixaria de ser exportada para a Europa poderia ser direcionada ao mercado interno, alterando a oferta, a demanda e a formação de preços no país. Como o Pará figura entre os maiores produtores de carne bovina do Brasil, mudanças nesse cenário podem impactar frigoríficos, pecuaristas, transportadores e outros segmentos ligados à atividade.

Credibilidade sanitária

A entidade defende que o debate seja conduzido de forma técnica e equilibrada. Para a FIEPA, a preocupação com a resistência antimicrobiana é uma pauta global legítima e os mercados consumidores têm o direito de estabelecer critérios sanitários para os produtos que importam.

Nesse contexto, a federação considera fundamental preservar a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. A avaliação é de que o país construiu, ao longo das últimas décadas, uma das estruturas de controle agropecuário mais respeitadas do mundo, fator que contribuiu para consolidar o Brasil entre os maiores exportadores globais de alimentos.

Confiança na adaptação do setor

A FIEPA também manifestou confiança na atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária, dos órgãos de defesa agropecuária e da diplomacia brasileira para atender às exigências europeias sem comprometer a competitividade do setor.

A expectativa é que sejam implementados mecanismos de certificação e rastreabilidade capazes de garantir o cumprimento das novas regras e manter o acesso aos mercados internacionais.

Diversificação de mercados

Outro ponto destacado pela federação é a necessidade de ampliar a diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Segundo a entidade, a expansão da presença comercial em regiões como Ásia, Oriente Médio, África e América do Sul tem contribuído para reduzir a dependência de mercados específicos e ampliar oportunidades para a indústria nacional.

Oportunidade para o Pará

Para a FIEPA, o atual cenário também pode representar uma oportunidade estratégica para a pecuária paraense. A entidade lembra que o estado já superou desafios importantes, como o processo de erradicação da febre aftosa, e avalia que a abertura do mercado europeu para a carne produzida no Pará deve ser encarada como uma meta de longo prazo.

A federação afirma que, com atuação conjunta entre produtores, frigoríficos, governo e demais integrantes da cadeia produtiva, o estado poderá ampliar sua participação em mercados mais exigentes e fortalecer sua competitividade internacional.

Leia também: