Programa nacional contra o crime organizado dá prejuízo de R$ 361 milhões a facções em 20 dias - Estado do Pará Online

Programa nacional contra o crime organizado dá prejuízo de R$ 361 milhões a facções em 20 dias

Balanço de 20 dias de operações aponta retorno de R$ 12 em prejuízo ao crime para cada R$ 1 investido; buscas em 124 presídios recolheram 680 celulares de lideranças faccionadas

Créditos: Polícia Federal

Três semanas após o seu lançamento oficial, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado apresentou os seus primeiros resultados operacionais integrados. Desde o dia 12 de maio, as forças de segurança pública confiscaram mais de 67 toneladas de entorpecentes, 639 armas de fogo, 26.875 unidades de munições e 1.013 veículos automotores, além de efetuarem a prisão de 473 pessoas. Ao todo, a ofensiva mobilizou 9.204 profissionais em 11 grandes operações coordenadas em território nacional.

Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o plano conta com uma previsão orçamentária de R$ 11,1 bilhões. As ações são estruturadas em quatro eixos estratégicos: asfixia financeira de facções, retomada do controle de estabelecimentos penais, qualificação de investigações de homicídios e desarticulação do comércio ilegal de armamentos. Os dados iniciais da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) indicam que o investimento de R$ 30,4 milhões no período gerou um prejuízo estimado de R$ 361,3 milhões ao crime organizado.

Bloqueio de ativos judiciais e varredura em penitenciárias

O balanço consolidado pelas Diretorias de Inteligência revelou que as operações “Narke” e “Renocrim” conseguiram obter o bloqueio judicial de R$ 436 milhões em ativos financeiros ligados a chefias criminosas. Paralelamente, a inteligência focada no sistema prisional deflagrou a 11ª fase da Operação Mute. A ação mobilizou 4.042 policiais penais em uma varredura minuciosa dentro de 124 presídios brasileiros, resultando na vistoria de 3.728 celas e na apreensão de 680 aparelhos celulares utilizados para transmitir ordens externas.

Em outra frente de atuação, a Polícia Federal (PF) homologou 128 operações de campo, efetuando 849 prisões em flagrante e cumprindo 295 mandados de busca e apreensão. O trabalho técnico de descapitalização gerou um impacto financeiro direto de R$ 272 milhões contra as estruturas logísticas do tráfico. Somente o braço federal da força apreendeu 160 armas, 4.563 munições, 5,6 toneladas de cocaína e 20,9 toneladas de maconha.

Expansão na Amazônia e aliança com o Paraguai

O programa nacional expandiu o policiamento de divisas para as 27 unidades da Federação, superando o modelo anterior que cobria apenas sete estados. Na região da Amazônia Oriental e Ocidental, o cinturão de segurança avançou por sete áreas prioritárias, englobando 42 municípios considerados críticos em seis estados específicos: Pará, Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná.

No plano diplomático, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, viajou a Assunção para se reunir com o titular da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), Jalil Rachid. O encontro serviu para pactuar a continuidade da Operação Nova Aliança, iniciativa bilateral com a PF que já destruiu 1.218 acampamentos de cultivo e eliminou 11,2 milhões de quilos de maconha na fronteira. O ministro também expôs o programa durante as reuniões de segurança do Mercosul, defendendo a tese de que o fortalecimento individual de cada nação blinda a resiliência de toda a região sul-americana frente às ameaças transnacionais.

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