STJ abre investigação sobre uso de inteligência artificial para tentar manipular sistema de processos - Estado do Pará Online

STJ abre investigação sobre uso de inteligência artificial para tentar manipular sistema de processos

Tribunal apura utilização de comandos ocultos em petições eletrônicas; caso semelhante no Pará ganhou repercussão nacional

Reprodução/STJ

O Superior Tribunal de Justiça determinou a abertura de uma investigação para apurar o uso de comandos ocultos de inteligência artificial em petições eletrônicas enviadas ao sistema da Corte. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (20) pelo presidente do tribunal, ministro Herman Benjamin.

Segundo o STJ, foram instaurados um inquérito policial e um procedimento administrativo interno para investigar possíveis tentativas de fraude envolvendo advogados e escritórios de advocacia.

A medida foi tomada após técnicos identificarem petições contendo técnicas conhecidas como “prompt injection”, método utilizado para inserir comandos ocultos em ferramentas de inteligência artificial com o objetivo de influenciar respostas automatizadas.

De acordo com o tribunal, os comandos eram inseridos nos documentos para tentar fazer com que sistemas automatizados ignorassem filtros de admissibilidade ou realizassem análises superficiais dos processos. O STJ informou ainda que as plataformas utilizadas pela Corte possuem mecanismos de segurança capazes de identificar e bloquear esse tipo de tentativa de manipulação.

Caso no Pará teve repercussão nacional

A discussão sobre o uso de inteligência artificial no Judiciário ganhou destaque recentemente no Pará após um caso registrado em Parauapebas.

Na ocasião, duas advogadas foram multadas pela Justiça do Trabalho após a identificação de um comando oculto em uma petição trabalhista. Segundo a decisão judicial, o texto escondido orientava a ferramenta de IA da Justiça a realizar uma análise superficial do processo.

O sistema “Galileu”, utilizado para auxiliar magistrados na leitura de documentos e elaboração de minutas, identificou a tentativa de manipulação. O caso acabou repercutindo nacionalmente e ampliou o debate sobre ética e uso da inteligência artificial no Judiciário.

Os episódios reacenderam discussões sobre os limites do uso da inteligência artificial no sistema judicial brasileiro. Especialistas defendem que as ferramentas podem agilizar análises e organização processual, mas alertam para a necessidade de fiscalização, transparência e supervisão humana constante.

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