Morre Waldirene Nogueira, primeira mulher a passar por cirurgia de transição de gênero no país - Estado do Pará Online

Morre Waldirene Nogueira, primeira mulher a passar por cirurgia de transição de gênero no país

Procedimento histórico foi realizado em 1971 pelo cirurgião Roberto Farina, que acabou condenado na época.

Aos 80 anos, morreu em Ubatuba, no litoral paulista, a pioneira na cirurgia de redesignação sexual no Brasil, Waldirene Nogueira. A causa do óbito, ocorrido na última terça-feira (19l, foi uma insuficiência respiratória aguda decorrente de seu estado de saúde debilitado.

​O sepultamento está programado para ocorrer em sua cidade natal, Lins, localizada no interior de São Paulo. Os atos fúnebres iniciam-se na manhã desta quarta-feira (20), com o sepultamento previsto para o final do dia no cemitério local.

​Nascida em 1945 sob o registro de Waldir Nogueira, a paulista iniciou o acompanhamento médico na capital do estado no fim da década de 1960. Foram necessários dois anos de avaliações multidisciplinares antes da obtenção do laudo definitivo que autorizou o procedimento.

​A intervenção histórica foi realizada em dezembro de 1971 pelo cirurgião plástico Roberto Farina em um hospital paulistano. Este acontecimento marcou a medicina nacional como a primeira operação de transição de gênero documentada no país.

​Após a cirurgia, a pioneira enfrentou severas barreiras legais e o próprio médico responsável acabou condenado criminalmente pela realização do ato. Waldirene chegou a sofrer exames invasivos no Instituto Médico Legal, mas manteve-se firme na defesa do profissional que a atendeu.

​O reconhecimento legal de sua identidade de gênero ocorreu somente em 2010, após décadas de negação por parte do sistema judiciário. Devido ao antigo impasse nos documentos, ela nunca pôde exercer a profissão de contadora, trabalhando como manicure até se aposentar.

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