Projeto do Museu Goeldi que preserva línguas indígenas concorre a prêmio nacional - Estado do Pará Online

Projeto do Museu Goeldi que preserva línguas indígenas concorre a prêmio nacional

A votação popular está aberta até sexta feira (22), e corresponde a uma das etapas decisivas do prêmio e terá o mesmo peso das notas atribuídas pela comissão avaliadora

Leidiane (esq.), Silvana e Rosalina Macurap em oficina com Ana Vilacy Galúcio. Foto: Daniel Magno/MPEG

A população do Pará e de todo o Brasil já pode votar, a partir desta segunda-feira (18) até a próxima sexta-feira (22), no projeto Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas, coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, que concorre ao 13º Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

A iniciativa disputa a premiação entre 40 finalistas e busca reconhecimento nacional por desenvolver ferramentas digitais voltadas à preservação, manutenção e revitalização de línguas indígenas ameaçadas de extinção.

A votação popular corresponde a uma das etapas decisivas do prêmio e terá o mesmo peso das notas atribuídas pela comissão avaliadora. O resultado final será divulgado no próximo dia 29 de maio, durante cerimônia em Brasília.

Os dicionários multimídia foram desenvolvidos em parceria com comunidades indígenas e em colaboração com o Departamento de Linguística da University of New Mexico. A tecnologia foi certificada pela Fundação Banco do Brasil como uma ferramenta social reaplicável, participativa e capaz de promover transformação social.

Silvania Oro Eo’ Cabixi entrevista sua avó Maria Pin Wa Oro Win na aldeia São Luiz. Foto: Joshua Birchall (UNM)

Segundo a linguista Ana Vilacy Galúcio, responsável pelo projeto, a participação da sociedade na votação representa também um compromisso coletivo com a valorização dos povos indígenas.

“Este é um momento em que cada cidadão, ao votar nos dicionários, pode contribuir com a valorização de povos historicamente vulnerabilizados. É um compromisso coletivo da sociedade com os indígenas e com um futuro que respeita a diversidade de seu povo”, destacou.

Cada vencedor da premiação receberá R$ 200 mil para investir no desenvolvimento e ampliação da tecnologia. Caso o projeto seja contemplado, os recursos deverão ser utilizados em capacitações nas comunidades indígenas, ampliação dos dicionários existentes, criação de aplicativos e desenvolvimento de novos projetos em outras aldeias interessadas.

Os dicionários contam com recursos de áudio, vídeo e imagem, permitindo registrar pronúncias, expressões e usos cotidianos das palavras nas línguas indígenas. Atualmente, a plataforma reúne sete dicionários bilíngues com o português, contemplando idiomas como Kanoé, Oro Win, Puruborá, Sakurabiat, Salamãi e Wanyam, além do dicionário de lugares sagrados dos Medzeniakonai.

Outros quatro dicionários estão em fase final de produção para as línguas Makurap, Djeoromitxi, Wayoro e Kuyubim.

A Amazônia concentra atualmente a maior diversidade de povos indígenas do país e abriga cerca de dois terços das línguas indígenas ainda faladas no Brasil. Segundo pesquisadores, muitas dessas línguas correm risco de desaparecimento devido às pressões ambientais, econômicas e sociais enfrentadas pelas comunidades tradicionais.

O projeto do Museu Goeldi busca justamente preservar não apenas os idiomas, mas também conhecimentos tradicionais ligados à fauna, flora, cosmologia, cultura e memória ancestral dos povos originários.

A votação popular pode ser realizada até sexta-feira (22) no site oficial do prêmio, na categoria “Certificação de Novas Tecnologias Sociais”.

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