Neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o UNICEF alertou para os altos índices de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, especialmente na Amazônia Legal, onde os indicadores permanecem acima da média nacional.
Segundo levantamento divulgado pelo UNICEF em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a região amazônica registrou mais de 31 mil casos de estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes entre 2021 e 2023. Apenas em 2023, a taxa chegou a 141,3 casos por 100 mil habitantes.

Os dados apontam que meninas entre 10 e 14 anos estão entre as principais vítimas da violência sexual, especialmente em áreas rurais e regiões de fronteira. No Pará, a taxa de violência sexual contra crianças e adolescentes é cerca de 50% superior à média nacional, colocando o estado entre os mais afetados da Amazônia Legal.
O estudo também mostra que crianças e adolescentes negros representam 81% das vítimas na região. Além disso, 65% dos casos acontecem dentro da própria residência da vítima, o que, segundo o UNICEF, torna o enfrentamento ainda mais complexo por envolver relações de confiança e proximidade.

Outro ponto de preocupação destacado pelo relatório é o crescimento da violência sexual no ambiente digital. Dados do estudo “Disrupting Harm” mostram que um em cada cinco adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos que utilizam internet já sofreu algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia, como aliciamento online, extorsão e compartilhamento não autorizado de imagens íntimas.
De acordo com o representante do UNICEF no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, os números reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas permanentes de prevenção e proteção. “A violência sexual contra crianças e adolescentes continua profundamente presente no cotidiano brasileiro e afeta principalmente meninas, crianças negras, indígenas e moradores de territórios mais vulnerabilizados”, afirmou.
O UNICEF defende medidas como fortalecimento da rede de proteção, capacitação de profissionais, ampliação dos canais de denúncia e ações educativas sobre consentimento, segurança digital e prevenção da violência. No Pará, o órgão atua em parceria com municípios por meio do Selo UNICEF, iniciativa que busca fortalecer políticas públicas de proteção à infância e adolescência em todo o estado.
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