Uepa conquista prêmio nacional e publicação na USP com estudo sobre saúde ambiental em Cotijuba - Estado do Pará Online

Uepa conquista prêmio nacional e publicação na USP com estudo sobre saúde ambiental em Cotijuba

Pesquisadoras apontam que a ausência de coleta de lixo e os impactos do turismo de massa sobrecarregam a saúde ambiental dos ribeirinhos

Créditos: reprodução/ Uepa

Um estudo desenvolvido por estudantes de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará (Uepa) revelou como o conhecimento tradicional e as práticas cotidianas de ribeirinhos da Ilha de Cotijuba, em Belém, são fundamentais para a saúde ambiental da região.

Intitulada “Letramento em Saúde Ambiental entre Ribeirinhos da Amazônia Paraense”, a pesquisa venceu o prêmio de Melhor TCC 2024/2025 do curso de Enfermagem e ganhou destaque internacional ao ser publicada na prestigiada Revista da Escola de Enfermagem da USP.

Desenvolvido pelas egressas Élida Fernanda Andrade e Sandy Isabelly Sousa, sob orientação da professora Laura Maria Vidal Nogueira, o estudo entrevistou 29 ribeirinhos para entender como eles interpretam a relação entre o ambiente e o bem-estar. O levantamento mostrou que a população possui uma capacidade aguçada de identificar mudanças na água, no solo e nos ciclos naturais, ajustando suas práticas de cuidado conforme essas percepções.

Entretanto, a pesquisa também expôs as vulnerabilidades dessas comunidades. Na ausência de coleta de lixo pública eficiente, muitos moradores recorrem à queima de resíduos, reconhecendo os riscos à saúde, mas vendo a prática como única alternativa para manter a limpeza. Além disso, o impacto negativo do turismo foi citado pelos moradores, que associam a chegada de visitantes ao aumento da poluição na ilha.

O papel da enfermagem na Amazônia

Os resultados reforçam o papel do enfermeiro não apenas no atendimento clínico, mas como um educador em saúde capaz de adaptar estratégias científicas à realidade sociocultural das comunidades.

“O letramento em saúde ambiental envolve a interpretação e aplicação dos saberes no contexto local, fortalecendo o protagonismo social e a corresponsabilidade pela saúde coletiva”, explicou a pesquisadora Élida Andrade.

A pesquisa aponta que, enquanto parte da população já utiliza a internet para buscar informações, outra parcela significativa ainda enfrenta limitações severas de infraestrutura e recursos, o que dificulta o acesso a orientações qualificadas sobre prevenção de doenças como leptospirose e dengue.

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