O secretário de Estado de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, foi exonerado do cargo na noite de segunda-feira (27). A decisão foi confirmada pelo governo estadual, sob comando de Mateus Simões, que anunciou também o nome de Gustavo Braga como substituto na pasta.
De acordo com nota oficial, a saída ocorreu de forma alinhada entre o governo e o agora ex-secretário, que deve se dedicar à recuperação de uma cirurgia recente, além de tratar de questões pessoais e novos projetos profissionais. A administração estadual ressaltou ainda avanços nos indicadores educacionais durante a gestão.
Em sua despedida, Rossieli afirmou que sua atuação teve como foco central o fortalecimento do ambiente escolar. Ele destacou a busca por priorizar o ensino e reduzir a dispersão de iniciativas, defendendo que a educação exige consistência e clareza nas ações. O ex-secretário também declarou deixar o cargo com a percepção de que contribuiu para consolidar um caminho voltado à aprendizagem dos estudantes da rede pública.
A passagem de Rossieli pela secretaria mineira durou cerca de sete meses. Ele assumiu o posto em agosto de 2025, durante a gestão de Romeu Zema, substituindo Igor de Alvarenga.
Apesar do curto período, a gestão foi marcada por episódios de repercussão. Entre eles, estiveram propostas como a ampliação do modelo de escolas cívico-militares e a parceria público-privada para unidades de ensino, além do cancelamento de um evento educacional sobre inteligência artificial no estádio Mineirão após confusão entre estudantes.
Histórico recente no Pará
A saída de Rossieli em Minas ocorre meses após sua exoneração da Secretaria de Educação do Pará, em 2025, durante a gestão de Helder Barbalho. Na ocasião, o desligamento veio acompanhado de declarações públicas em tom conciliador, embora o contexto fosse de forte pressão.
No estado, sua gestão enfrentou protestos de indígenas e profissionais da educação, especialmente após a implementação de medidas relacionadas ao ensino a distância em comunidades tradicionais. A ocupação da sede da secretaria em Belém e a greve organizada pelo Sintepp evidenciaram o nível de insatisfação de parte da sociedade com a condução das políticas educacionais.
Polêmicas em São Paulo
A trajetória de Rossieli também teve forte repercussão no estado de São Paulo, onde comandou a Secretaria de Educação entre 2019 e 2022, na gestão do então governador João Doria.
No período da pandemia de COVID-19, sua atuação foi alvo de críticas de entidades sindicais e parte da comunidade escolar, especialmente pela defesa da manutenção das aulas presenciais durante fases críticas da crise sanitária. A decisão gerou ações judiciais e forte oposição da APEOESP, além de embates políticos que marcaram o período.
Além disso, sindicatos e críticos da gestão apontam que Rossieli tem uma linha de atuação alinhada à defesa de modelos de gestão privada na educação pública, incluindo propostas de terceirização de estruturas escolares, tema que gerou debates recorrentes durante suas passagens por diferentes estados.
Com a nova mudança em Minas Gerais, Rossieli encerra mais um ciclo à frente de redes públicas de ensino, mantendo uma trajetória marcada tanto por cargos de relevância nacional quanto por debates intensos sobre os rumos da educação pública no país.
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