A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), gerou forte repercussão ao classificar a atual situação financeira da magistratura como “muito triste” e comparar as condições de trabalho da categoria ao regime de escravidão. A declaração ocorreu durante a 8ª sessão da 3ª Turma de Direito Penal, realizada no dia 9 de abril, em reação à extinção de benefícios extras determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Contraste Salarial
Apesar do desabafo sobre dificuldades financeiras, os dados de transparência do tribunal revelam vencimentos expressivos. Em março de 2025, a magistrada recebeu um salário líquido de R$ 91 mil. No mesmo período do ano anterior, antes das restrições impostas pela Suprema Corte aos chamados “penduricalhos”, o valor líquido recebido pela desembargadora ultrapassou os R$ 185 mil.
A fala da magistrada é uma resposta direta à decisão do STF que extinguiu 15 tipos de benefícios e limitou as verbas indenizatórias a 35% do subsídio mensal (atualmente fixado em R$ 46.366,19).
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O Desabafo
Durante a sessão, a desembargadora afirmou que as narrativas construídas sobre a magistratura transformaram juízes em “vilões” e “bandidos”.
“A situação que a magistratura vive hoje é essa. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de tomar remédios. É muito triste”, declarou Eva do Amaral Coelho.
A magistrada defendeu a carga horária da categoria, mencionando o trabalho realizado em plantões, fins de semana e madrugadas, e criticou o uso da expressão “penduricalhos”, que classificou como “chula e vagabunda”.
Histórico e Produtividade
Eva do Amaral Coelho ingressou no Judiciário paraense em 1985. Ao longo de quatro décadas, atuou em comarcas como Afuá, Primavera, Conceição do Araguaia e Castanhal, antes de chegar à 3ª Vara Penal de Belém.
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