A composição da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados, voltou ao centro do debate público após a eleição da deputada federal Erika Hilton, uma mulher trans, para a presidência do colegiado há cerca de duas semanas. O tema ganhou repercussão também pela presença de homens na comissão, entre eles o deputado paraense Éder Mauro.
Embora o regimento da Câmara não proíba a participação de homens, a composição tem sido questionada, especialmente em relação ao histórico de alguns integrantes. Éder Mauro já esteve envolvido em episódios de declarações consideradas ofensivas.
Como em 2021, durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça, o deputado disse à deputada Maria do Rosário que ela precisava de “médico e remédio para parar de falar”. Em outro momento, durante discussão com parlamentares, afirmou já ter matado “muita gente”, declaração que foi interpretada como ameaça por deputadas.
Conforme já publicado pelo Estado do Pará Online (EPOL), o deputado também fez uma publicação nas redes sociais direcionada à deputada Erika Hilton após um episódio envolvendo um visto diplomático emitido pelos Estados Unidos. Na ocasião, escreveu “O chassi não bateu?”, em tom de deboche, o que gerou críticas e foi apontado como conteúdo transfóbico.
As falas motivaram críticas e uma nota de repúdio da Secretaria da Mulher da Câmara. Parlamentares apontaram que esse tipo de comportamento contrasta com a finalidade da comissão, que atua na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência de gênero.
Caso registrado no Pará
Além das declarações, o deputado também foi acusado de agressão em 2019, em Belém. Na ocasião, a advogada e servidora pública Bruna Lorrane, que hoje ocupa o cargo de Secretária executiva de Políticas e Bem-Estar da Prefeitura de Belém, relatou ter sido agredida durante uma eleição comunitária no bairro da Marambaia.
Um laudo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves apontou que ela sofreu lesões de natureza leve. A vítima também afirmou ter sido alvo de ataques transfóbicos. O caso foi registrado na Polícia Civil, que informou, à época, que seriam necessárias outras diligências para confirmar a autoria das agressões.

Debate sobre a comissão
A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher gerou reações , com questionamentos sobre sua representatividade. Por outro lado, a presença de homens no colegiado, inclusive com histórico de polêmicas, não teve a mesma intensidade de críticas em alguns grupos, segundo matéria publicada pela Folha de S.Paulo.
A comissão é responsável por discutir projetos de lei, acompanhar políticas públicas e investigar denúncias de violações contra mulheres, o que mantém o debate sobre quem faz parte do grupo em destaque no cenário político nacional.
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